Vendo palavras no ar como quem vê notas musicais.
Hoje, li que em um universo paralelo a flecha do tempo voa de frente para trás.
Quando penso em tempo, só penso em você.
Sinto-me uma eterna tola, às duas da manhã, tentando transformar palavras vistas no ar em algo com sentido.
Agora entendi o lance do Hobbes: o meu tem sido fazer uma sopa de letrinhas pra você... Ando cada dia mais gorda.
A cada período completado pelo pêndulo, você se parece mais comigo do que eu consideraria "saudável". Um punhado de pessimismo, um punhado de lágrimas e uma pitada de risos. Misture tudo com água: o almoço está servido! E a janta! E o café da manhã! E o lanche da madrugada!
Quero emagrecer... Existe algum sorvete para isso? Quero sorvete de você, todo o dia, toda a noite, quero calda de chocolate e leite condensado... Quero dividir todas as minhas refeições com você, e quero que você divida as suas comigo.
"Não há palavras pra você."
Eu concordo: quando tento escrever para você, sempre volto para mim.
Mal me lembro dos seus olhos verdes ou do seu sorriso bonito... Mas não esqueço o sussurro (aquele eco que, em dias trouxas, compartilhamos.)
Como é possível te amar, mas beijar outro e não lembrar de você?
O que eu poderia fazer? Eu gosto da aventura, da sensação de estar perto, de ser levada por um estranho a um lugar novo, desconhecido. Às vezes, culpo-me, embora sinta que estou certa. Você provavelmente está apenas à espreita de algum sinal para seguir, para me deixar pra trás, para ser feliz com alguém por aí. Não o culpo.
Amo quando você toca a sua guitarra, mas queria que estivesse tocando a mim.
Odeio quando você desaparece, sou tão egoísta... Qualquer desatenção me faz sentir vulnerável.
Amo quando eu choro por você... Dentre todas as lágrimas que já derramei por amor, as únicas que não possuem essência de tristeza são por sua causa. Lambo-as, mas são salgadas como todas as outras lágrimas, derramadas por todos os outros motivos. Que idiota eu sou!
Odeio quando eu choro por você... Externalizar sentimentos é fazê-los mais reais, palpáveis. Segundo o corretor, ando inventando algumas palavras. O que posso fazer?
Palavras ditas possuem vida. Para sempre. O amor um dia acaba, mas o que o amor criou, não morre nunca.
No momento, uso você. Escrevo esperando o sono vir. Se pudesse escolher com o que sonhar, sonharia com você e passenger pigeons.
Estes pássaros um dia foram os mais abundantes dos Estados Unidos. Hoje, já não existem mais. Um por um, foram caçados, mortos e vendidos por um centavo cada.
Quero sonhar com estes pássaros azuis, vivos. E você, numa vitória régia. E nós, em algum parque nacional, ouvindo os pigeon cantarem as músicas que os pássaros cantam. Contamos as estelas no céu, durante a noite. Observamos o pôr do sol, no crepúsculo. À tarde, mergulhamos no rio que nunca para de correr. Discutimos sobre suas águas. Nossas filosofias divergem: você acha que o rio é o mesmo, enquanto eu acho que ele é novo a cada instante que passa. Na aurora, eu durmo, e você contempla o nascer do sol como se houvessem notas musicais conosco. Respiramos o mesmo ar, e o tempo parece nunca passar: fecho os olhos... E não existe pêndulo algum.
Acordo, e sou uma tola. Você quer carne, eu quero alma. Nem sei se você acredita nisso, pra começar.
Eu deveria me expor menos... Sou uma árvore sem folhas no inverno, esperando o verão chegar.
Queria ser infinita... Infinita pra você. Como a primeira pegada do homem na lua representou um avanço na ciência, como uma mulher que planta mil árvores pode fazer a diferença, mesmo que desconhecida e num continente esquecido.
Tenho vivido ao invés de apenas existir. Desejo felicidade para você tal como desejo para mim.
Desejo que não tivéssemos mais medos, e que eu pudesse lhe prometer que o amaria para sempre, como se fosse dona do Tempo. Mas ora essa, como poderia? Não recupero nem uma foto... O resto então, eu já nem penso.
Hoje, li que o Big Bang pode ter formado dois universos possíveis: o nosso, que vai do passado para o futuro; e um paralelo, com a flecha do tempo apontando de frente para trás. Nesse universo, ao invés de haver tudo tendendo ao caos, ao espalhamento, à entropia... Tudo está ao contrário: a tendência é para a ordem, para a junção... Do futuro para o passado, como juntar cacos de vidro de volta ao copo, como salvar os pássaros da extinção, como ver estrelas morrerem antes de nascerem, como mergulhar em um oceano e ressurgir seca... Como ter você, e só então te amar.
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