segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Outono

Nova postagem. Meu recorde; nosso recorde.
Uma de minhas músicas favoritas tocando.

The killing moon will come too soon...

Difícil falar qualquer coisa depois de me afogar em um dos mais lindos oceanos de palavras. 
Certas coisas não tem como dizer apenas um "obrigada", mas qualquer coisa além disso é impossível.

Rotina nova. Deliciosa.
Rotina nova que se tornará velha.
Em breve, se apagará da minha memória, como tudo que de certa forma já passou por mim.
Assustador perceber o quão momentâneo tudo é. 

Fecho os olhos.
Curto a música. Não quero que acabe. Nada disso é real.

Medo do futuro. Medo de sentir medo... de viver em vão.
As coisas seriam tão simples se eu fosse simples.
Preciso decodificar o que está implícito nessa equação. Falta algo, a gente já conversou sobre isso.
Defeito de fabricação, talvez? Prazo de validade vencido? Às vezes o vazio é maior que a distância entre duas estrelas, mas fazer o quê? Eu faço o que está ao meu alcance.
Ou será que não?
Fugir é minha palavra de ordem. Ou talvez esperar. Eu não sei. Espero pelo nada. Não há conforto nisso.
Mais não's do que sim. Nenhum sim, essa é a verdade, eu estou enganando a quem?
Achava-me fria. Mas talvez não... talvez eu esteja apenas... congelada no meu próprio mundo.
Presa na tal caixa. Como um gato. Vivo e morto. 
Vivo.
E.
Morto...

Perdi-me nos meus pensamentos. Bagunça, caos, entropia... organização. Tudo tem um sentido, tudo tem um motivo, uma explicação; pelo menos eu espero que sim. Mesmo que a peça do meu quebra-cabeças esteja perdida para sempre no espaço-tempo.
Não há nada mais terrível do que um quebra-cabeças incompleto; é um puzzle sem fim. Destrói aqueles que são mais sensíveis, aqueles que são esponja... 

"Fate... Up against your will... Through the thick and thin."


Cada palavra dita, aquele sentimento de: eu já fui melhor nisso.
Falta-me inspiração. Ora essa, as árvores com as folhas coloridas e caídas no chão que une o velho e o novo não significam nada?

Eu olho, tudo está verde.
Pisco.
De repente, vejo cores: vermelho, laranja, rosa, amarelo...
Algumas não conseguem resistir.
Pergunto-me para onde vão toda a vida presente nas folhas caídas, as mesmas que nos fazem pisotear nelas... como se não fossem nada.
Mas elas são alguma coisa. Essa morte representa beleza.
A limpeza da natureza - todo o encanto do processo da vida, logo ali. 
Minha mais nova temporada favorita. Eu esqueci como a gente chama "season" em português, algo me diz que não é como se fosse uma série de televisão.

Sinto-me sufocada.
Ignoro tudo e todos. Meu tempo, minha bolha particular - meu momento de permitir-me ser eu mesma. 
"Ora essa, eu sempre sou eu mesma."
Sim.
Mas às vezes eu esqueço disso... Há tanta coisa acontecendo, e
ao mesmo tempo,
tudo permanece igual.

Outono: tempo de ser feliz. De agradecer por estar aqui a cada instante e poder observar a magia das cores e do chão colorido pelas folhas caídas.

A simplicidade como a escapatória fugaz do mundo-cão que é lá fora.
Do mundo que, desculpa, não é nada cor-de-rosa.
Do mundo em que a gente deposita fé nos Humans of Earth, mas que muitas das vezes eles agem mais como vogons estúpidos que só estão interessados no seu próprio umbigo.

Aquela sensação de "as coisas poderiam ser tão fáceis e certas como as folhas caem no outono". Mas não é assim. Nem na minha terrinha é assim

Sinto-me uma criança com olhos de águia. E dentes afiados, sempre pronta para destruir alguém com a minha sinceridade cortante. Nunca intencional, mas nunca pensado também. Odeio-me um pouco mais.
Ansiosa para que a neve chegue.
Gosto da beleza do outono e desse clima posso-usar-vestido-mas-também-posso-usar-casaco.
Mas agora quero mais o novo, quero desafio.

Odeio frio, achava que gostava, mas curtir algo diferente também faz parte do aprendizado.

Zero a minha redação.
Fugi do tema.
Que tema?
Os temas livres são sempre os mais complicados - falo sobre oceanos, quebra-cabeça e outono, e nada faz sentido. Algo está incompleto.

É a peça perdida... eu sou a peça perdida?
Aquela peça que nunca vai ser encontrada, porque simplesmente não é pra ser.
Sempre procurarei, e nunca encontrarei.
Tenho que lidar com isso. Lidar com meus nervosos, minhas paranoias, meus medos e anseios. Tenho que lidar com o fato de que a vida pode ser tão vazia quanto um domingo, mas que sempre é possível revirar um quebra-cabeça de mil peças a procura de solução - apenas pelo prazer de encaixar, de fazer ter sentido, de se sentir parte de alguma paisagem pitoresca ou embalagem.

Agora o defeito de fábrica tem ainda mais sentido. A peça sempre esteve faltando.
Rio um pouco - só um pouco.

Talvez isso seja o Nexo de tudo. Aquela hora em que você percebe que, mesmo que as coisas não pareçam reais ou relevantes, elas representam alguma coisa. Mesmo que quebradas... elas estão ali por um motivo. Pode ser uma paisagem faltando um pedaço de uma árvore em pleno outono, pode ser a falta de uma porta (para outros mundos) no casebre rosa de fim de estrada. Pode, até mesmo, ser a falta de um cara no alto de uma torre negra ou de um amor que nunca veio a existir... A verdade é que ser incompleto pode fazer parte do pacote, desde o começo e para sempre. Não devo temer isso.
Algumas pessoas são destinadas a ser assim.

Sinto-me mais leve.
Não digo que sou incompleta; não sou, não totalmente. É só que a busca por algo que nunca existiu - e isso pode ser qualquer coisa, como uma pecinha de lego, um sentido para tudo, uma razão para a existência - é a força que me propulsiona. Mesmo que eu saiba que nunca vou encontrar. Esse tipo de coisa só funciona quando a gente não está procurando, e isso obviamente não é o caso aqui.
Quando a gente menos espera, a verdade vem à tona. A touca perdida é encontrada; a meia é dada, e, assim, somos libertados. A verdade pode até ser descoberta, mas a Pergunta... ora, a Pergunta está intrínseca em todos nós, e é só isso o que importa.
O resto é para os loucos, que, como eu, nunca estão satisfeitos com respostas simples. 
Estou disposta a me afogar no oceano da própria existência apenas em busca de algo que não existe, ou, se existe, não pode ser encontrado; apenas pelo prazer da procura, da espera de um dia o quebra-cabeça ser finalmente encaixado... Aquele dia em que eu olharei para a paisagem tosca da embalagem de papelão e sorrirei, como quem diz "eu só estava fazendo isso por fazer, não é nada demais".
Aquela risada sincera de quem é viciado em completar coisas e buscar sentidos da existência por aí.
Gente que olha pela janela do quarto e vê um mundo lá fora, e sorri, e chora, porque é esponja mas também é humano e também é dançarino.
Gente que é feliz pela ideia da busca, e gente que também é triste por pensar demais. Sou os dois.
Feliz e triste, vivo e morto. Morto por pensar demais, e vivo por pensar demais. Em ambos os casos, estou no lucro - sempre há o que ver. Há tanta coisa lá fora.
Faz parte da minha natureza ser assim (meio louquinha). 


Não odeio tudo sobre você. É só aquele período do mês em que até as folhas coloridas caídas no chão me fazem chorar porque é tudo lindo demais. Amo tanto você que me sinto um oceano de tanta loucura só em pensar nisso. rommie, sister, best friend. troy&abed in the morning, remember?

Mais uma das minhas músicas favoritas toca.
Love will tear us apart... again.

Hora de dizer até mais - e obrigada pelos peixes.

Eu queria que a trilha sonora acabasse logo, para ouvir mais uma música que amo tanto quanto eu amo arroz com feijão, estrelas e nuvens que parecem algodão-doce.
Aquela música que é linda mesmo que o mundo seja louco.
Como eu.

(louca, não linda *hahahha*)

"All around me are familiar faces
Worn out places
Worn out faces
Bright and early for the daily races
Going no where
Going no where
Their tears are filling up their glasses
No expression
No expression
Hide my head I wanna drown my sorrow"





Ecos

Se eu não faço sentido, como minhas palavras poderiam fazê-lo?

Sem alarmes e sem surpresas, por favor. 
O oceano no começo do caminho reflete o tempo: uma face conhecida; a minha própria cara: borrada, confusa, disforme e levemente perturbada pelas ondas. O que parece ser não é necessariamente o que é. O que pareço ver não desvenda o que há por trás da escuridão. Quantos mistérios o oceano não esconde? Seu azul, seu frio, sua vida. Parece infinito, mas não é. Parece perpétuo, mas eu sei que um começo requer um fim. Fecho os olhos, em busca de lembranças: antes era tão singelo, tão simples, tão leve como uma brisa que vem do mar... 

O vento carrega minha própria loucura. 

Escuto o silêncio. Em mim, ouço o barulho das ondas. Na minha imaginação, avisto um barco. Neste barco, há uma criança. Se, para ela, uma concha encostada no ouvido ecoa o mar, mesmo que na casa da avó em plena cidade grande, por que a memória de uma vida idealizada não ecoaria por meio de lembranças que eu nem sequer podia imaginar ainda lembrar? A maré cheia e a maré baixa, quase consigo sentí-las em mim... Em um momento, estou completa. Noutro, vazia, apenas cheia de mim. O perfume é de pura nostalgia, com a fragrância de quem eu era, mais perdida do que nunca, por mais tempo do que gostaria.

Agora, não sinto nada. Por muito tempo, esta era a minha única vontade na Terra: que a maré abaixasse, que o mar esvaziasse, que eu me tornasse uma ilha de mim. Apenas eu, e o mundo, e o mar que não dependia de ninguém. 

Eu consegui.

Flutuei como um continente, independente.
Pedaços de terra que eu nunca entendi. Estão eles soltos ou fixos ao mar? São vazios de água ou cheios de terra? Profundos ou rasos?
Eu achava que podia ser misteriosa como o oceano, mas identifico-me mais com a complexidade e dualidade da terra. Na praia, ondas do mar e partículas de areia.
A zona costeira abriga grande parte da vida. 
É lá que eu mergulho. 

Fecho os olhos para que o sal não me machuque, e tento me encontrar na natureza enquanto não posso enxergar com meus olhos cegos de humana... A minha audição está incrível: sei que, por aqui, o som caminha mais rápido que no ar. A minha vontade é sorrir para mim e rir de mim, mas tenho medo de me afogar.
Parte de mim sabe que isso é impossível. Como não seria? Eu faço parte do mar.
A confusão é o que me move, meu caos é a minha barbatana para seja qual for meu destino. Por um momento, quero ser peixe e viver só por sobreviver e ser feliz assim. Em outro instante, quero ser eu e abrir os olhos na escuridão: a dor da água nas minhas pupilas era prevista, mas saber da dor não a impede de acontecer mesmo assim. O que fazer? Deixar de nadar por isso? De enxergar no escuro por medo da falta de luz me queimar?
Abro os olhos, e o caos que eu esperava era na verdade lindo e caloroso. Eu posso ver o contrário acontecer, um flashback da minha própria visão que, em um dia triste, já me fez chorar: um tubarão sem barbatanas se afogando no próprio lar - cercado com seu próprio sangue. Depois, avisto um pescador com o tubarão nas mãos, gélidas e cruéis, e não entendo o que está acontecendo: a desordem cronológica, há de ser... Eu não estou aqui, isto não está acontecendo. Por fim, enxergo este mesmo tubarão, no seu antes que, agora que sou o mar e vivo nele, é depois: cheio de vida nadando livremente no seu próprio mar.

Eu vi o tempo de frente para trás: relativo, subjetivo e intrigante, como o reflexo de uma face na água.
Se eu não usasse óculos, diria que este reflexo era meu com toda a certeza como a vida é tão absoluta quanto a morte. Mas eu, por natureza, vejo tudo distorcido: nunca estou certa de absolutamente nada, ou de relativamente tudo. Não sei se sou o mar ou a terra, se estou satisfeita ou se sou insaciável. Quero ser livre de mim mas, ao mesmo tempo, não quero estar presa em alguém que não seja eu.
Aceito o seu pedido de jantar, mas estou bem beijando outro.
Considero a sua oferta de casar... Mas o que exatamente isso quer dizer? Eu não sei cozinhar, só sei comer. Você sabe disso tão bem quanto eu, você enxerga a Verdade como se fosse um Deus. 
Minha mãe sempre me dizia para não confiar no mar, porque ele é traiçoeiro. Ela está certa... Mas, e se eu quiser me jogar? E se eu for o mar, e não terra, como pareço ser? Não confie em mim, não sou suporte: sou o mar, não tenho cabelos para impedir ninguém de se afogar.

Nem tudo o que parece, é.
O gato da caixa está, afinal, vivo ou morto? Pelo que aprendi, até abrirmos a caixa, ele morre e vive ao mesmo tempo.
O que isso diz de mim? Sou eu um gato?
Preso na minha própria caixa?
Na minha própria concha, perturbada pelas minhas próprias ondas?
Eu não sei. 
Sei que eu amo, sei que sou amada, sei que já amei. 

Esqueci suas cartas. Desisti da sua amizade porque você não tinha tempo para a minha. Fechei-me em mim, engoli a chave, e estou bem assim.
Entretanto... Há um vento por trás da fechadura. De onde vem? Deste mundo ou de qualquer outro insignificantemente existente? São ecos, não tenho dúvidas. Ecos do que? Do presente, do passado, do futuro? De um amor mal resolvido? De um amor bem definido? Ou de pedaços de amores, retalhos meus e seus, sentimentos nossos que não fazem sentido algum separados, mas que juntos também não significam nada? 
Não quero mais pensar, não me leva a nada. Fecho os olhos, e sou uma criança perdida no próprio mar que criou para se refrescar no verão.
Eu escolhi isso, mas perdi o controle. 
Nada é definitivo, só não sei se isso se aplica ao fim também... que eu tinha certeza, como um amor de uma criança por um pônei, que havia acabado.
"Coloque uma pedra nisso", é o que dizem.
Esquecem-se de que os fósseis são formados assim. A pedra põe um fim, mas deixa eternas marcas.
É o intemperismo das ondas, a erosão, modificando o ambiente, substituindo o antigo pelo novo, destruindo o conhecido para formar o misterioso. É físico, mas também é químico. 
É para o futuro, mas é moldado pelo passado. Como um leãozinho descabelado é impossível de ser esquecido: aquela visão, os sorrisos, o eco na concha, a loucura da idéia de amar e ser amado.
E que, hoje, diz estar comungado. 
União de almas, idéias, livros e comida. Cúmplices na vida, fugitivos da polícia. Na natureza, selvagem, Pink Floyd (do passado, do presente) como trilha sonora enquanto compartilhamos alguma poesia. Escrevo pra você, e digo que está tão belo dormindo que não deve ser acordado. Ou foi você que escreveu pra mim?

Eu não sei. 
Apenas achei este bilhete em um de seus livros favoritos, quando invadi uma vida que não era minha, quando entrei no quarto de um cara que não era meu. 
Mas não nego, diverti-me. 
Talvez tenha sido um vislumbre por trás do que o oceano esconde. Um dos mistérios que nunca podem ser revelados. Como um déjà vu, uma pontada da minha imaginação. Sei que, em breve, será apenas uma lembrança que nem sequer lembrarei: como o interruptor da minha antiga casa e o click que tanto me incomodava, como a vida que eu vivo agora será apenas vista na minha memória, depois de algum esforço, quando eu voltar para o mar. 
Apenas mais um mergulho. 
Um mergulho mais longo, onde eu respiro embaixo d'água e vejo por entre a escuridão. Nesse oceano, o som do vento parece com o som de chuva. O silêncio, às vezes, faz barulho... Eu existo, mas ainda sou tão difusa quanto o reflexo da minha própria face na água é, ou aparenta ser. 
Eu sinto... Só não sei o que.

O que me tornei? Meu mais amável amigo, todos que conheço, acabam indo embora. 
Você podia ter tudo isso. 
Meu império de sujeira.
Vou te decepcionar.
Vou te fazer sofrer.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O reflexo do futuro, uma face na água

A hora não passa.
Por que eu quero que passe? 
O que eu pretendo fazer?
Apenas estou inquieta, e não sei o porquê. 
Tenho medo de deixar tudo passar em branco.
De voltar e não ter o que dizer. 
Tolo, 
besta. Eu sei.
A minha memória é o que me atormenta.
Fecho os olhos, em busca de lembranças...

e tudo o que eu enxergo é um pêndulo.

De um mês atrás: adeus permanente

"O vento está do outro lado da fechadura. E aqui, de onde ele vem? De toda a eternidade. E da Torre Negra."


Faz frio lá fora.

E está chovendo um pouco, também.
Ouço risadas. E pessoas falando em outra língua.  
Valorizo as vantagens de entender e não poder ser entendida. Outsider, mas nem tanto assim.


Enquanto isso, deveria estar escrevendo sobre saudade; e sim, estou negando isso ao máximo.

Não vejo porque adiantar qualquer sentimento do tipo. 
Daqui a pouco é aniversário da minha avó e casamento do meu primo, tudo num dia só. Fico feliz porque eles se distraem, enquanto eu tenho milhares de afazeres - que sempre são adiados - pra se resolver.


Ouço Free Bird. Vejo fotos antigas. Cada minuto tentando entrar no clima saudosista que o professor exigiu. Não é tão difícil, porém. O problema é a minha memória (a minha memória é sempre o problema).

Acho que isso é um brainstorming. De nada. Por nada.


Tick Tock, ninguém bate na porta.

Mais um Twix acaba. 
Silêncio. 
Rio das tolices da minha irmã - a cada dia que passa me surpreendo mais.


Odiando todas essas palavras. Acho que esses grilos não me ajudam a pensar. Acho que os meus neurônios não me ajudam a pensar.

Nunca me senti tão sufocada quanto agora: queria aproveitar a noite lá fora e gritar para o mundo.
Talvez o problema seja esse: gritar o que, para quem?
Ora essa, não precisa de razão. 


É. Só. Uma. Questão. De. Pensar.



loucura

silêncio
barulho
noite
(meu professor disse que listar palavras é bom, e que às primeiras não fazem sentido)
Ouço um ruído.


Hora de dizer adeus temporariamente.