terça-feira, 24 de julho de 2012

O imaginário mundo da insônia

Aquele estranho momento quando você está prestes a cair no sono, finalmente.
Essa "simples" tarefa da nossa mente -deitar e dormir-, não é tão simples assim. Para muitos, a arte de dormir é complicada e desgastante, mas também pode ser inspiradora, se você conseguir se lembrar de alguma coisa. 
Devo admitir que já escrevi sobre isso mentalmente nos meus momentos de insônia, mas não consigo lembrar. Deitar e não ter a certeza de um descanso... Porque, simplesmente, não consigo parar de pensar. Penso sobre tudo, imagino centenas de situações, crio diálogos com pessoas reais e personagens, escrevo poesias e inúmeros textos... 
Até a metalinguagem está presente nesses momentos. E é enlouquecedor, porque não tem fim. "Quero dormir, então tenho que parar de pensar, esvaziar a mente... Eis-me aqui pensando em não pensar" e, de repente, "bowties are cool, essa temporada poderia começar logo...". Ou seja, não importa o quanto eu tente não pensar, quando me dou conta, já estou pensando em qualquer outra coisa, simplesmente esquecendo da minha tentativa de não pensar em nada...
Isso não é sufocante? É como se eu não tivesse controle sobre mim mesma, como se eu não tivesse escolha, a não ser continuar conversando com os meus botões... "Penso, logo existo", disse Descartes. Pois eu digo: "Penso, logo não durmo." É fato que a nossa mente continua trabalhando incessantemente enquanto dormimos, mas pelo menos não temos consciência disso. É extenuante. Só quem tem problemas em dormir entende essa angústia de não conseguir "se desligar". 
Mas, enquanto encontro-me neste estado de limbo, a imaginação aflora, e eu crio mundos, invento histórias, escrevo livros, penso em forma de tweet (o que é um pouco... insano, admito), participo de jogos que não existem, imagino-me em lugares absurdamente belos e tão, tão distantes... Perco-me em universos e em músicas e, ao mesmo tempo, estou presa em mim mesma tentando descansar a qualquer custo... Refugio-me em cabanas onde há carneirinhos pulando a cerca, até que eles deixam de existir e 
há aquele momento
em que tudo acontece ao mesmo tempo
e, ao mesmo tempo, nada acontece;
aquele estado que não faz sentido
e simplesmente acaba, sem que eu sequer perceba...
Então, eu adormeço. E só me dou conta disso quando é hora de acordar.


Talvez seja por isso que eu tenha preguiça de dormir.

sábado, 14 de julho de 2012

O conto de uma tarde inquietante

Aquele momento quando tudo o que você faz consiste na emergência de fugir.
Gritar, rasgar os papéis, correr.
Por que não simplesmente chorar? Mas nada é suficiente.
O medo e o pesar do vazio me consomem de tal forma, incineram-me por dentro.
A faísca é o desespero, o caos já começou. Todas as substâncias necessárias para o estopim já estão distribuídas: oxigênio... fogo... e BOOM!
E agora?
A fuga parece mais do que crucial, e ainda assim não consigo agir. A fumaça sufoca, desorienta e atormenta.
Mas não se engane, não se iluda. Respire.
Respire outra vez, mais lentamente.
A realidade sorri, de forma sarcástica. Tudo não passava de um pesadelo, apenas. Palavras, palavras, realidade ou fantasia?
Linha tênue entre o crepúsculo e o amanhecer. Tic, toc, tic, toc.
Hora de começar.
De novo.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Monotonia

Eu apenas não entendo.
Esforço-me, mas logo canso.
Não entendo o que eu sou, ou quem você é.
Vejo todas as cores iguais.
Às vezes, encontro-me perdida num caminho sem saída;
onde tudo vai, e eu fico.
E a rotina permanece comigo, como se fosse a única parte de mim
que nunca vai embora.
É um problema pessoal, como se fosse um
defeito de fábrica.
Afinal, se tudo é sempre tão igual, é porque eu não fiz nada para mudar.
Porque, no fundo, eu gosto da segurança da rotina.
E é por isso que eu sei que não importa onde eu esteja,
continuarei vendo as mesmas cores,
imaginando as pessoas da mesma forma,
sentindo os mesmos vazios.
E tudo isso sem motivo, sem sentido.
Esforcei-me, mas já estou cansada. Não há objetivo em nada,
resta-me apenas a rotina. A boa, a má.
Mas, ora essa, o que é a vida senão uma rotina?
Viver um dia, e depois outro,
e outro.
E estar em paz por simplesmente existir. Mesmo que eu não compreenda.
Não é preciso entender para continuar seguindo o caminho.
Porque, de repente, o meio vale mais do que o próprio fim.