Em algum lugar no universo, há de haver tudo aquilo que um dia foi perdido ou deixado de lado.
Histórias inacabadas, contos de fadas arquitetados na infância, poemas sobre o amor e, por que não, o próprio amor que foi esquecido?
Há de haver um lugar onde tudo o que deixamos pra fazer amanhã e nunca fizemos está feito, e é lá que promessas são cumpridas, e sonhos que sonhamos durante a noite e parecem de alguma forma importante, são lembrados.
Neste lugar, caminhos que não seguimos por dúvida ou medo estão trilhados, e não existe metade de nada pois tudo é completo.
Há de haver, em algum lugar no universo, as palavras que nunca foram ditas apesar de estarem entaladas na garganta por mais tempo do que deveriam, e lá também se encontram abraços que aqui deixamos de dar por alguma mágoa estúpida, e beijos que nunca aconteceram em despedidas, e despedidas que nunca aconteceram também.
Em algum lugar do universo, há de haver o encontro de todos aqueles que nos acalmaram a alma na rua, nos bares, nas festas, nas igrejas, no trabalho, mesmo sem nos conhecerem.
Neste lugar, há uma parte de nós que sempre imaginamos ser uma versão melhor do que nós somos aqui, mas isso não é verdade.
Se estamos aqui, do outro lado deste lugar no universo, é porque deixamos que uma parte de nós esteja lá, mesmo que esta parte seja apenas composta por passado e futuro. Estranho é pensar no tempo que perdemos imaginando este lugar...
Afinal, o presente está aqui e agora, e não lá.