procuro modos de subir a montanha, mas estou mais cansada do que podia imaginar.
há uma estranha quando olho através do espelho.
recuso reconhecer a familiaridade com que a simplicidade do corte representa… eu já estive assim, não estive?
tola, sou, temendo o que vem pela frente, enxergando através dos olhos do passado.
tola, mas não de todo: metaforicamente, ver tudo o que foi construído com muita resistência,
dedicação,
e desafiando todos os medos de todos os loops que uma montanha russa é capaz de dar…
tudo se foi, e lá vou eu novamente: reconstruir.
é essa a vida, afinal. e sou apenas uma construção de areia envolta por tijolos.
a onda foi maior do que os meteorologistas poderiam prever.
talvez seja a lua, e seu poder com as marés. separa-se o céu da terra, mas não há como escapar do astro e sua relação com o mar.
tudo bem.
talvez tenha sido a maré, talvez tenha sido apenas o vento.
que haja a onda.
que os tijolos estejam caídos.
que o castelo de areia tenha se destruído.
talvez tenha sido influência da lua, talvez não. o que realmente importa é que aconteceu.
e, por mais que os muros estejam mais firmes, um dia a onda será mais forte.
e o castelo de areia, ou o que quer que tenha sido construído por insistência ou pelo tempo, whatever,
desmoronará. e aí restará apenas reconstruir.
build up again.
i was born to build.
olharei no espelho, estranhando-me por algum tempo - espero que por menos tempo do que, agora, após a onda, posso imaginar.
sou eu, ainda. apesar da onda, do vento, da lua: ainda sou eu, mesmo que eu não seja quem eu era ontem. mesmo que esteja tudo tão diferente.
mesmo que as lágrimas borrem minha visão, por um motivo banal, ou não. sou eu.
e, na solidão e confusão de outra pessoa, descobri não estar sozinha.
o que pode ser pior do que descobrir que seu castelo foi construído por tijolos de mentira? se ele é feito de tijolos de mentira, é protegido por areia? que brisa não seria capaz de desmoronar tudo?
suba, suba, suba a tal da montanha. não há como voltar.
mas talvez - e, infelizmente, talvez seja a única certeza possível -, só talvez, você encontre um atalho. um atalho para um castelo só seu, onde reconstruir não é a única opção restante, mas uma escolha. uma escolha sua, só sua. e aí você verá o seu reflexo no espelho e verá você, e então o conceito de "nós" será possível novamente.
entre verdade e mentira, existe sempre uma escolha.
reconstruo ou não o castelo de areia?
eu nasci para construir. e você?
a vida compreendida é a vida vivida.
confuso esse castelo. ora tijolo, ora areia...
fragmentos.
para aquela que eu sempre me espelhei.