Há dias em que eu não sei diferenciar o certo do errado, o doce do salgado, o amor da dor.
Por muito tempo, eu me perdi dentro de mim em busca de respostas que não existem. Respostas que nunca existiram.
Não existe resposta se não há pergunta.
Não diferencio certo do errado porque, de fato, não há. Não comigo, não com o que fiz ou com o que deixei de fazer; tampouco com você, ou com o que você fez ou deixou de fazer.
É preciso muita luz interior para não ficar perdida para sempre quando tudo o mais não faz muito sentido. A verdade é que nunca fez sentido. Não tem porquê.
Se carros e cadeiras e pessoas perdem as formas no escuro, estes assumem a forma que eu quero que eles sejam quando tudo que há é a lembrança do que eu achava terem sido. Se quero carros com asas, cadeiras ao contrário, e pessoas perfeitas - terei tudo isso. De olhos fechados, apenas com a lembrança de como tudo um dia foi, nada é verossímil com a realidade. É pior, é melhor, mas nunca é igual.
Por mais tempo do que pude perceber, deixei-me levar por quem eu achava que eu era, ou por quem eu era, ou por quem você pareceu ser (ou, de fato, era). A verdade é que nada disso importa, porque eu sou quem sou porque eu já fui quem eu fui. Sou esponja do mundo, ah como sou! Mas sou esponja de mim mesma mais do que de ninguém. Porque quando eu tenho insônia, eu estou sozinha comigo. Porque quando eu sonho, sonho em mim e, geralmente, sonho comigo. Às vezes, sonho em terceira pessoa e são estes sonhos que eu costumo lembrar. Lembro-me deles e dos pesadelos, porque pesadelos mostram a escuridão em mim, e os sonhos onde eu não existo perturbam por mostrar um mundo em que eu não faço parte.
Fecho os olhos e eu existo, e eu estou bem, obrigada. Hoje, sei que amar alguém sem amar a si é como caminhar no deserto e encontrar uma miragem: não há escape na miragem.
Há dias em que eu misturo o doce com o salgado porque eu não sei que sabor quero ter na boca enquanto como. Obviamente, também faço isso porque sou taurina - eu gosto de comer.
As respostas não existem, e agora eu entendo. Não há 42 sem pergunta. Que droga de pergunta é essa que eu supostamente tenho que saber?
Hoje, pelo menos, sei que não importa. Deserto, homem de preto, pistoleiro, whatever, Ka, whatever.
Fiz o que fiz.
Não fiz o que não fiz.
Amei quem amei, beijei quem beijei, não amei quem não amei. Se me entreguei e caí, levantei-me. Se hesitei, um dia, é porque achava ter sido hora para hesitar. Que mania de todos acharem que tem que se jogar!
É madrugada, e eu escrevo… Por que eu me arrependo do que fiz ou deixei de fazer, quando na verdade eu estava apenas seguindo os passos que eu, companheira de mim mesma nas noites de insônia, resolvi tomar? Por que me sinto culpada por escolher tal caminho, sendo que foi este caminho que me trouxe até aqui?
É madrugada, e eu escrevo… Por que eu me arrependo do que fiz ou deixei de fazer, quando na verdade eu estava apenas seguindo os passos que eu, companheira de mim mesma nas noites de insônia, resolvi tomar? Por que me sinto culpada por escolher tal caminho, sendo que foi este caminho que me trouxe até aqui?
Seja lá onde aqui for, aqui é.
Mas aqui, apenas estou… Amanhã, eu já não sei.
Enquanto existo, sou apenas um bebê aprendendo a viver.
Dessa vez, ao invés de crise, é conforto.
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