segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Testando a conexão

Nada certo sobre mim. Apenas incertezas, uma atrás da outra. 
Dúvidas.
Perguntaram-me sim ou não. Eu respondi talvez.

Estamos testando a conexão, aguarde alguns minutos, por favor.

Alguma coisa sobre sapatos, mas não tenho certeza. Como poderia? 
Eu gosto de andar descalça.
Pelo menos disso eu sei.

Mantenha a calma, houve uma falha na conexão, estamos tentando reverter a situação.

Não sei fazer nada em especial. "Mas você escreve!" Eu escrevo?
Eu rabisco. Rabiscava. 
Quantas histórias já abandonei, quantos personagens criei, e depois deixei de lado? 
Em algum lugar no universo há um planeta onde tudo o que eu quase-inventei está a salvo.
Só falta um resgate.

Por favor, testando a conexão. Aguarde.

Banda de um Sim só. Desculpas... 
Aceitas?
Tá tudo bem, você tem que fazer o que faz você se sentir bem. 
Escrever me faz bem.  Mas maneiro eu não achei...

Testando, testando, tes-tes-testando a conexão.

Lá no céu, não vejo mais as estrelas piscarem.
Será que elas chegaram a piscar algum dia?
Só vejo nuvens. E chuva, muita chuva.
Esses dias frios combinam comigo. E música. Sua música. 

E escrever, senti falta de escrever... Especial ou não, é algo que eu gosto de fazer.
Uma certeza entre tantas dúvidas. 

Conexão sendo restabelecida, aguarde.




sábado, 29 de setembro de 2012

Palavras ao vento

"Está tudo bem, acho que sempre foi assim
Nada pra sentir, espero outro dia vir..."

Devaneios. Expectativas. Disenchanted. Bored wednesday bored. Palavras desconexas, vazias, assim como a minha própria existência. Buracos negros. Tum, tum, blá, blá, coca-cola. Nuvens sorrindo docilmente para a platéia em êxtase. "It's showtime", they said. Agora as nuvens também falam. E assustam. Cabum, escuridão, choque. "O que está havendo?", alguém perguntou. Mas não era nada. "E o que é o nada, afinal?" Ora, melhor nos pouparmos desses assuntos agora. Oxigênio. Sentido. Saudade. Por que pequenas frases devem fazer sentido, se não conseguimos entender nem a nossa existência? É isso o que importa, no final dos contos: acreditar/fingir que o mundo tem algum nexo, enquanto não podemos nem aceitar que textos nunca são escritos para nós mesmos? Ora essa, a contradição mandou beijos mil. Desvio. 

Devaneios. Palavras e pensamentos, nada mais do que isso. Engrenagens, apenas. Algumas enferrujadas, outras quebradas ou em desuso. Máquinas. Metamorfos. Fake, fake, fake. On. Off. De novo. Olhe para as estrelas, deixe esperança queimar em seus olhos. Interrupção. Nonsense. Shyness is nice, but shyness can stop you. Revelações (só que não). Tudo em um mesmo texto, caderno, bloquinho. Soul. Infinito, finito. Limite. Agora é a sua chance. Por que insiste em tentar entender este mísero texto? Pare. Pare agora. Ou então, continue. Você é quem sabe. Não importa para mim o que você acha do modo como fui escrito, ou se eu não tenho sentido algum... Eu estou vivo agora. Pelo menos, existo (isto não soa familiar pra você? Soa para mim). And I'm fine. Eu reciclo e transformo. E invento. Eu estou aqui agora, seja lá onde o aqui for: em um rascunho de papel ou em uma tela de computador. 

Ao contrário de uma certa cachalote, eu não posso simplesmente viver, cair... cair... viver, cair... e morrer. Eu sou um texto: aprendi a errar o chão. O vento toma conta de mim, as palavras que me formam estão preparadas para admirar a vista, flutuando... Para sempre entregues à brisa. 


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Carrossel


E quando você não consegue ver nada com clareza. E nada faz sentido. E você sente movimentações estranhas que não existem. O clima está diferente, olhe para frente e veja o que você está vendo! Escreve qualquer coisa para tentar fugir dessa prisão que está dentro da sua mente
(pelo menos está na minha)
E se sente sufocada, sem saber pra onde ir.
Por que esta assim? Algo te incomoda? Acho que não – minha filha, você está usando drogas?
Claro que não – mas por que essa euforia interna de repente?
Tenta explicar, tenta! Quero ver se você aguenta – canta um funk, dança um rock
(acho que estou me sentindo melhor agora)
Você sabe que não faz sentido misturar terceira pessoa com primeira, né? Não é tecnicamente certo, mas assim eu consigo me explicar melhor.
Acho que o efeito do seja-lá-o-que-for está passando, porque está batendo uma vergonha por ter escrito esse texto tão bizarro e sem sentido
(até para mim)
Então, simplesmente apagar e ignorar, e ele nunca terá existido? Sim, é uma possibilidade, mas não parece justo.
O nervoso está voltando, estou me sentindo presa em mim mesma novamente, como se a tentativa de apagar a liberdade tivesse causado isso novamente, seja lá o que for. Angústia do que? Ansiedade de repente? Qual é o meu problema?
(acho que eu esqueci de tomar os meus remédios)
Agradeço às palavras por fazerem com que eu me sinta melhor, mesmo que ninguém mais entenda. Mesmo que não faça sentido (porque não faz sentido mesmo).

Odiei as palavras e as amei,  então resolvi embaralhá-las. 
Às vezes, eu não faço o menor sentido.

terça-feira, 24 de julho de 2012

O imaginário mundo da insônia

Aquele estranho momento quando você está prestes a cair no sono, finalmente.
Essa "simples" tarefa da nossa mente -deitar e dormir-, não é tão simples assim. Para muitos, a arte de dormir é complicada e desgastante, mas também pode ser inspiradora, se você conseguir se lembrar de alguma coisa. 
Devo admitir que já escrevi sobre isso mentalmente nos meus momentos de insônia, mas não consigo lembrar. Deitar e não ter a certeza de um descanso... Porque, simplesmente, não consigo parar de pensar. Penso sobre tudo, imagino centenas de situações, crio diálogos com pessoas reais e personagens, escrevo poesias e inúmeros textos... 
Até a metalinguagem está presente nesses momentos. E é enlouquecedor, porque não tem fim. "Quero dormir, então tenho que parar de pensar, esvaziar a mente... Eis-me aqui pensando em não pensar" e, de repente, "bowties are cool, essa temporada poderia começar logo...". Ou seja, não importa o quanto eu tente não pensar, quando me dou conta, já estou pensando em qualquer outra coisa, simplesmente esquecendo da minha tentativa de não pensar em nada...
Isso não é sufocante? É como se eu não tivesse controle sobre mim mesma, como se eu não tivesse escolha, a não ser continuar conversando com os meus botões... "Penso, logo existo", disse Descartes. Pois eu digo: "Penso, logo não durmo." É fato que a nossa mente continua trabalhando incessantemente enquanto dormimos, mas pelo menos não temos consciência disso. É extenuante. Só quem tem problemas em dormir entende essa angústia de não conseguir "se desligar". 
Mas, enquanto encontro-me neste estado de limbo, a imaginação aflora, e eu crio mundos, invento histórias, escrevo livros, penso em forma de tweet (o que é um pouco... insano, admito), participo de jogos que não existem, imagino-me em lugares absurdamente belos e tão, tão distantes... Perco-me em universos e em músicas e, ao mesmo tempo, estou presa em mim mesma tentando descansar a qualquer custo... Refugio-me em cabanas onde há carneirinhos pulando a cerca, até que eles deixam de existir e 
há aquele momento
em que tudo acontece ao mesmo tempo
e, ao mesmo tempo, nada acontece;
aquele estado que não faz sentido
e simplesmente acaba, sem que eu sequer perceba...
Então, eu adormeço. E só me dou conta disso quando é hora de acordar.


Talvez seja por isso que eu tenha preguiça de dormir.

sábado, 14 de julho de 2012

O conto de uma tarde inquietante

Aquele momento quando tudo o que você faz consiste na emergência de fugir.
Gritar, rasgar os papéis, correr.
Por que não simplesmente chorar? Mas nada é suficiente.
O medo e o pesar do vazio me consomem de tal forma, incineram-me por dentro.
A faísca é o desespero, o caos já começou. Todas as substâncias necessárias para o estopim já estão distribuídas: oxigênio... fogo... e BOOM!
E agora?
A fuga parece mais do que crucial, e ainda assim não consigo agir. A fumaça sufoca, desorienta e atormenta.
Mas não se engane, não se iluda. Respire.
Respire outra vez, mais lentamente.
A realidade sorri, de forma sarcástica. Tudo não passava de um pesadelo, apenas. Palavras, palavras, realidade ou fantasia?
Linha tênue entre o crepúsculo e o amanhecer. Tic, toc, tic, toc.
Hora de começar.
De novo.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Monotonia

Eu apenas não entendo.
Esforço-me, mas logo canso.
Não entendo o que eu sou, ou quem você é.
Vejo todas as cores iguais.
Às vezes, encontro-me perdida num caminho sem saída;
onde tudo vai, e eu fico.
E a rotina permanece comigo, como se fosse a única parte de mim
que nunca vai embora.
É um problema pessoal, como se fosse um
defeito de fábrica.
Afinal, se tudo é sempre tão igual, é porque eu não fiz nada para mudar.
Porque, no fundo, eu gosto da segurança da rotina.
E é por isso que eu sei que não importa onde eu esteja,
continuarei vendo as mesmas cores,
imaginando as pessoas da mesma forma,
sentindo os mesmos vazios.
E tudo isso sem motivo, sem sentido.
Esforcei-me, mas já estou cansada. Não há objetivo em nada,
resta-me apenas a rotina. A boa, a má.
Mas, ora essa, o que é a vida senão uma rotina?
Viver um dia, e depois outro,
e outro.
E estar em paz por simplesmente existir. Mesmo que eu não compreenda.
Não é preciso entender para continuar seguindo o caminho.
Porque, de repente, o meio vale mais do que o próprio fim.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Seleção não natural

I believe everything happens for a reason. Why did end up here?

Olá. Bem, tentarei escrever sobre o destino e suas infinitas possibilidades. Sim, tentarei; porque, ao que parece, eu esqueci absolutamente tudo o que queria dizer. Este é como um daqueles assuntos (o nada, a vida, o universo e tudo o mais) que, quando paramos para pensar por muito tempo, simplesmente fogem de nossas mentes. Mas não custa nada arriscar!

Eu acredito que tudo acontece por uma razão. Por que nós terminamos aqui?

Destino. Algumas pessoas acreditam. Outras, não. Eu faço parte do grupo que acredita - mas de uma maneira peculiar. A princípio, eu acredito que as coisas acontecem como deveriam acontecer, que as coisas são como devem ser. É como se todas as nossas escolhas, as pessoas que conhecemos e os caminhos que seguimos nos levassem a um lugar: o nosso ka, nosso destino.
A princípio. Por que, então, muitas pessoas são infelizes? Este é o destino delas?

É complicado para mim escrever sobre este assunto, porque até algum tempo atrás eu acreditava, inocentemente, na felicidade e na beleza do destino. Ora, no meu mundo e no das pessoas ao meu redor, parece que tudo se encaminha, apesar dos pesares, para algo bom e feliz, não é verdade?
É verdade? É...

Então, eu percebi - com uma pontada de angústia e remorso -, que no mundo real não é exatamente assim. Diga-me: as crianças que vivem em locais muito pobres e miseráveis, sem ter o que comer... Este é o destino delas? E as pessoas saudáveis que ficam doentes repentinamente? E quanto aqueles que, sem motivo algum, perdem-se nas drogas e no vício para sempre? Este é o destino dessas pessoas? É justo isso?
Não acho que seja. Mas é a realidade da injustiça do mundo. Não a injustiça do planeta, obviamente. Refiro-me às pessoas e sua indiferença. Indiferença esta do tamanho de um continente que foi esquecido e devastado por outro. Indiferença minha, sua, nossa. Mas eu me importo com o infeliz destino dessas pessoas (até que eu vá ao shopping assista a um filme compre um CD ou um livro ou ria com os amigos), eu me revolto (escrevendo num blog que ninguém lê deitada na minha cama comendo trakinas de chocolate) com a triste situação na qual algumas estão fadadas a viver durante toda a vida... E eu não entendo o destino e suas contradições e injustiças.

Mas eu continuo acreditando nele. E continuo acreditando que tudo o que acontece, acontece; tudo o que, ao acontecer, faz com que outra coisa aconteça, faz com que outra coisa aconteça... Mesmo que o que aconteça não seja bom. Mesmo que não seja feliz, nem justo.





quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Eu, robô: alienação reversa

A complicada arte de escrever. Pois bem, depois de longos dias sem redigir absolutamente nada por aqui, acho que chegou a hora de finalmente me libertar. E, para isso, preciso - de alguma forma - explicar o que estou sentindo, e porque não consigo simplesmente criar textos/poesias/etc naturalmente mais.
A culpa é do vestibular! Ora, mas é claro que é. Em 2011 eu tive que aprender a ser sucinta, objetiva e pragmática para fazer as dissertações e obter uma boa nota. A "receita de bolo" foi ensinada, bastava apenas segui-la para conseguir um resultado aceitável. E com toda essa "robotização" na minha escrita, tive de deixar de lado a minha fucking imaginação, as minhas metalinguagens, os meus desvios do assunto principal... tudo se perdeu. Ok, acho que isso foi um mal necessário, no final das contas. Agora, é hora de recuperar o tempo "perdido" (mas que valeu muito a pena!), ler mais livros, poesias... não se limitar a textos de atualidade e assuntos pertinentes para o vestibular. É estranho ter dificuldade em algo que era tão simples, pá-pum. Mas estou mais do que ansiosa para dar continuidade às minhas histórias, há muito esquecidas nos confins do backup do meu computador velho...

Um P.S para o quão contraditório tudo isso é: em 2011 eu estive tão alienada com o mundo mas ao mesmo tempo estive ligada. Tudo de atual e que era importante para o vestibular eu tive de aprender, como a Primavera Árabe, as crises mundiais, desastres naturais... E, ao mesmo tempo, senti como se no fundo não estivesse vivendo nada daquele ano, como se tudo acontecesse perto de mim, mas longe: como se nada fosse   real... como se fosse mais uma matéria na televisão... O que, na verdade, foi: apenas um flash, naquele lugar e naquele instante, enquanto eu apenas estudava.