Eu tentei, mas acho que desisto. Finalmente, acho que desisto. Sinto tanto frio que meu corpo não consegue parar de tremer. Acho que estou congelando... Estou congelando no verão. Não me sinto triste, mas essa madrugada me faz querer desistir. Nunca antes me senti tão valorizada, tão abençoada - se é que posso dizer assim-, como me sinto aqui. Um estranho me fez sentir parte de uma família. Uma cerveja tomada legalmente, cachorros fofos e abraços sinceros. Uma música linda, tocada em um piano que, palavras dos donos, nunca havia sido tao magnificamente tocado antes. Isso me fez pensar em corpos, e em humanos… Repetidamente tocando uns aos outros, experimentando vários tatos, na esperança de ter encontrado aquele especial que faça sentido... Que cause verdadeiros arrepios. Não posso ficar triste por ter um sonho se realizando, ou por me sentir querida, ou por me sentir bem vinda, ou por estar sendo, de alguma maneira, útil. Mas, a cada passo que dou de forma correta, tropeço mais e mais. Às vezes, acho que estou sonhando. Talvez esteja. Talvez, tudo o que eu esteja vivendo aqui seja apenas uma ilusão, um sonho bom que estou prestes a acordar... Mas, ao mesmo tempo, sinto que estou caminhando para um despertar diferente, inusitado. Não serei a mesma pessoa quando voltar ao meu verdadeiro lar, assim como não sou mais a mesma que era há uma semana atrás, quando eu vivia uma vida confortável com meus amigos e tudo parecia bem concreto. Agora, novamente, sou pega no desconhecido.
Uma corrida na madrugada, e eu não sei o que me espera… Mas deu tudo certo. Um passeio de domingo bem extravagante, e a dúvida que não me abandona: quando me acostumarei com isso? Lembro-me do piano, magnificamente tocado, como se fosse uma música divina. Aquele eco maravilhoso pela sala, trazendo paz até às crianças e ao cachorro. E o professor dizendo "é a primeira vez que ouço um som tao pleno vindo desse piano”. Eu imagino como será quando um outro alguém tocar esse piano.Não tão leve? Meu maior medo sobre voltar é justamente a possibilidade de voltar a ser apenas um piano longe de toda sua plenitude possível. O meu outro medo mais interno é ser ensinada a tocar o piano de maneira plena, porém sem conseguir acompanhar, e ainda sentir vergonha por ter até tentado.Sentem pena de mim porque eu acho que não sou boa em nada, mas eu mesma não sinto nada. Há aqueles que sabem tocar, e há aqueles que não sabem. Não cabe a mim ficar triste por isso. Não cabe a mim tentar me fazer sentir especial, porque eu não sou. Não para mim ou para o mundo… Mas eu sei que sou especial para algumas poucas pessoas, e sei que sou tudo para outras. Isso basta. Isso não é mesquinharia, não é ser miserável. Em uma escala de nada a tudo, eu sou os dois, e isso faz com que eu seja nada e tudo, ao mesmo tempo. Isso basta. Mas há dias e dias, entretanto. Ontem, a plenitude daquelas canções tocadas no piano me fez sentir única, especial, grata por estar viva. Hoje, a essa hora, sinto-me meio vazia. Não é mais ontem. Não sei tocar. Tenho insônia. Um dos meus maiores medos é não saber do que mais eu sou feita: de ontem, ou de agora. Eu sou esponja demais, e no momento estou encharcada. Lembro-me daquelas palavras, logo depois do banho e do café sem açúcar, e um carinho que eu nunca havia recebido antes, e que também nunca pude retribuir... "Você é uma boa pessoa”, eu disse. E a resposta que ainda ecoa na minha mente, vez ou outra" Ninguém é apenas bom ou mau”. E eu sorri, surpresa. Soube a verdade naquele instante.
Entretanto, ainda não consigo definir se o bem é capaz de sobrepor o mal, ou se uma pitada de mal já é capaz de estragar toda a receita preparada. Não sei, mesmo. Acho que isso não seria muito justo... Mas então, o que seria justo? Nada. A justiça é uma ilusão, e eu sou uma hipócrita. Que seja injusto, desde que não seja comigo.
Não escuto música nenhuma hoje. Não tem piano nenhum. O que é pior? Um piano que toca apenas uma melodia qualquer, sem a plenitude com que fora tocado antes... Ou não ter piano algum? Mais uma pergunta sem resposta. Eu não sei, e tenho medo de saber. Ainda lembro daqueles olhos azuis molhados de lágrimas, tão salgadas quanto as águas do oceano, e brilhantes como tal. Um azul perdido que disse para eu ser feliz, e que eu continuasse a ser quem eu era mesmo que isso não fosse fácil, porque um dia, eu encontraria quem me tratasse melhor, quem me merecesse de verdade. Naquele momento, fechei meus olhos, e só pude ver olhos verdes, da cor de um lago: olhos lindos, porém tristes e distantes, cansados de ter sonhos adiados, dos planos que deram errado, da família fragmentada, e parte também tristes por mim. Escuto o silêncio, de fora, mas dentro de mim está tudo confuso. Instável, esponja, estranha… Não consigo aceitar muito bem qualquer tropeço. Vejo tropeços como empurrões, destinados a me fazerem ficar no chão, a me derrubar. No chão, por ser amada demais. Pergunto-me: é esse o amor que eu procuro? Via-o caminhando comigo, de mãos dadas... Mas, de repente, estou no chão. Tropecei, ou fui empurrada? Talvez ambos. Já me disseram que eu sou tóxica, e também que estou caminhando para ser um amor liquido, como todos os outros. Estou no chão, e não sei se derramei ou não. Eu realmente não sei.
Enquanto isso, em uma estrada distante, um caminho é formado. "Só uma coisa... Exclusividade". Era só que eu queria, mas agora... Sinto-me paralisada, novamente. Querida erva daninha, misturada entre minhas plantas. Você desperta o pior de mim, e disso eu tinha esquecido. Mas agora eu escrevo para não esquecer mais: se eu, um dia, tiver a opção de desviar de você, desviarei. De destruição, já basta eu. De mágoas, já bastam as minhas, por quem realmente importa.
Agora... Importa, até quando? Talvez sem ser nessa semana, na próxima. Pode ser.
Não sei.
Acho que desisti.
Enquanto eu não me amar... Não posso ser amada.
Eu sou a única que pode tocar o piano da maneira mais plena possível. Àqueles que foram, que tenham ido. À quem fica… O que resta? Um pêndulo, o tempo, ou uma porta? É difícil dizer adeus para quem eu deixo um pedaço de mim.
Desisto, ou não?
Minha maior alegria é ter uma âncora.
Uma corrida na madrugada, e eu não sei o que me espera… Mas deu tudo certo. Um passeio de domingo bem extravagante, e a dúvida que não me abandona: quando me acostumarei com isso? Lembro-me do piano, magnificamente tocado, como se fosse uma música divina. Aquele eco maravilhoso pela sala, trazendo paz até às crianças e ao cachorro. E o professor dizendo "é a primeira vez que ouço um som tao pleno vindo desse piano”. Eu imagino como será quando um outro alguém tocar esse piano.Não tão leve? Meu maior medo sobre voltar é justamente a possibilidade de voltar a ser apenas um piano longe de toda sua plenitude possível. O meu outro medo mais interno é ser ensinada a tocar o piano de maneira plena, porém sem conseguir acompanhar, e ainda sentir vergonha por ter até tentado.Sentem pena de mim porque eu acho que não sou boa em nada, mas eu mesma não sinto nada. Há aqueles que sabem tocar, e há aqueles que não sabem. Não cabe a mim ficar triste por isso. Não cabe a mim tentar me fazer sentir especial, porque eu não sou. Não para mim ou para o mundo… Mas eu sei que sou especial para algumas poucas pessoas, e sei que sou tudo para outras. Isso basta. Isso não é mesquinharia, não é ser miserável. Em uma escala de nada a tudo, eu sou os dois, e isso faz com que eu seja nada e tudo, ao mesmo tempo. Isso basta. Mas há dias e dias, entretanto. Ontem, a plenitude daquelas canções tocadas no piano me fez sentir única, especial, grata por estar viva. Hoje, a essa hora, sinto-me meio vazia. Não é mais ontem. Não sei tocar. Tenho insônia. Um dos meus maiores medos é não saber do que mais eu sou feita: de ontem, ou de agora. Eu sou esponja demais, e no momento estou encharcada. Lembro-me daquelas palavras, logo depois do banho e do café sem açúcar, e um carinho que eu nunca havia recebido antes, e que também nunca pude retribuir... "Você é uma boa pessoa”, eu disse. E a resposta que ainda ecoa na minha mente, vez ou outra" Ninguém é apenas bom ou mau”. E eu sorri, surpresa. Soube a verdade naquele instante.
Entretanto, ainda não consigo definir se o bem é capaz de sobrepor o mal, ou se uma pitada de mal já é capaz de estragar toda a receita preparada. Não sei, mesmo. Acho que isso não seria muito justo... Mas então, o que seria justo? Nada. A justiça é uma ilusão, e eu sou uma hipócrita. Que seja injusto, desde que não seja comigo.
Não escuto música nenhuma hoje. Não tem piano nenhum. O que é pior? Um piano que toca apenas uma melodia qualquer, sem a plenitude com que fora tocado antes... Ou não ter piano algum? Mais uma pergunta sem resposta. Eu não sei, e tenho medo de saber. Ainda lembro daqueles olhos azuis molhados de lágrimas, tão salgadas quanto as águas do oceano, e brilhantes como tal. Um azul perdido que disse para eu ser feliz, e que eu continuasse a ser quem eu era mesmo que isso não fosse fácil, porque um dia, eu encontraria quem me tratasse melhor, quem me merecesse de verdade. Naquele momento, fechei meus olhos, e só pude ver olhos verdes, da cor de um lago: olhos lindos, porém tristes e distantes, cansados de ter sonhos adiados, dos planos que deram errado, da família fragmentada, e parte também tristes por mim. Escuto o silêncio, de fora, mas dentro de mim está tudo confuso. Instável, esponja, estranha… Não consigo aceitar muito bem qualquer tropeço. Vejo tropeços como empurrões, destinados a me fazerem ficar no chão, a me derrubar. No chão, por ser amada demais. Pergunto-me: é esse o amor que eu procuro? Via-o caminhando comigo, de mãos dadas... Mas, de repente, estou no chão. Tropecei, ou fui empurrada? Talvez ambos. Já me disseram que eu sou tóxica, e também que estou caminhando para ser um amor liquido, como todos os outros. Estou no chão, e não sei se derramei ou não. Eu realmente não sei.
Enquanto isso, em uma estrada distante, um caminho é formado. "Só uma coisa... Exclusividade". Era só que eu queria, mas agora... Sinto-me paralisada, novamente. Querida erva daninha, misturada entre minhas plantas. Você desperta o pior de mim, e disso eu tinha esquecido. Mas agora eu escrevo para não esquecer mais: se eu, um dia, tiver a opção de desviar de você, desviarei. De destruição, já basta eu. De mágoas, já bastam as minhas, por quem realmente importa.
Agora... Importa, até quando? Talvez sem ser nessa semana, na próxima. Pode ser.
Não sei.
Acho que desisti.
Enquanto eu não me amar... Não posso ser amada.
Eu sou a única que pode tocar o piano da maneira mais plena possível. Àqueles que foram, que tenham ido. À quem fica… O que resta? Um pêndulo, o tempo, ou uma porta? É difícil dizer adeus para quem eu deixo um pedaço de mim.
Minha maior alegria é ter uma âncora.