terça-feira, 15 de dezembro de 2015

one of these days

Um sol que faz mais do que aquecer. 
Raio por raio, me expõe: minhas espinhas, minhas cicatrizes, minhas falhas e meus medos. Tudo é exposto sem a menor piedade.
Lágrima por lágrima, me sinto uma tola; fraca, sozinha, desamparada. Sem conseguir olhar no espelho.
Eu sempre odiei terças-feiras, mas hoje, por mais brilhante que esteja o sol lá fora, tremo.
De medo. De torpor. 
Eu só queria não ter essa montanha-russa de emoções; queria normalidade, equilíbrio; queria me amar. Verdadeira e intensamente, como diz o roteiro. Eu posso até me amar, um pouquinho. Mas não hoje, pistoleira. Não hoje, e muito menos agora.
Hora de aproveitar o ar gelado, e cobrir-me deste vento inebriante… Para, quem sabe, amenizar estas queimaduras da realidade… e voltar a querer enxergar a luz refletida no espelho. 

Algumas horas depois... E o calor piorou. Troco de sala, sinto-me melhor. 
Entretanto, fujo das pessoas. Não quero encontrar amigos - se eu não consigo olhar pra mim mesma, não quero obrigar mais ninguém a passar por isso. Pensamento cruel e até mesmo sem sentido. Mas hoje é um daqueles dias. Permiti me entristecer.
Como uma coxinha com catupiry, e o estado de espírito é outro: consigo ouvir Lana del Rey e apenas sentir uma vontade de voar por aí. A fila gigantesca e o calor infernal do terminal lotado não me deixaram pra baixo. Estudei. Dei algumas risadas...

E eis que o inesperado acontece. Compartilhamos khef, de novo. Anos de amizade, e é surreal como a sincronia ainda nos aproxima. Mesmo que incompleto, o tet sente as mesmas dores, os mesmos anseios. Não estamos sós. Temos as mesmas crises: e isso é só a prova maior de que, bem, nada realmente importa. Estamos juntas nessa e somos quem somos. Se eu te amo, você também pode se amar. E se vocês me amam... Por que eu não me amaria também? 

Não seres: sendo.

obrigada pelos peixes.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

as estrelas não estavam erradas

um domingo chuvoso ouvindo the smiths.
contraditoriamente, sinto-me bem com isso.
minha mente está calma, mas meu corpo está se esforçando ao máximo para realizar certas coisas - ajeitar o cabelo acabou sendo mais fácil do que apertar um botão.
a minha cabeça dói. e muito.
o barulho do carro passando sobre o asfalto molhado está quase ensurdecedor
(i am human and i need to be loved… just like everybody else does).
o dia foi agradável, mas a estranheza física está ultrapassando algumas barreiras. dança de carnaval e alguns diamantes (parede de diamante) valeram o meu dia. e a maratona conjunta de prison break, é claro.
(take me out tonight
to where there’s music and there’s people who are young and alive)

as estrelas não estavam erradas. o tempo passou, e bilhões de anos depois, tudo (finalmente) se acertou. a parede de diamante foi rompida. a verdade superou o medo, e a eternidade passou a ser apenas uma vaga lembrança de um pesadelo sem fim. 
e venci mais um domingo chuvoso. a minha inquietação pode ser facilmente justificada por aquele período do mês, e, mesmo assim, eu anseio o amanhã. os detalhes realmente fazem toda a diferença: cada esforço concretizado é uma vitória, mesmo que nem todo o mundo consiga entender.
espero que não chova amanhã. espero que faça bastante sol. espero que haja luz, e risadas. esperança por dias melhores é tudo o que a gente precisa, afinal de contas. 
por fim, só queria dizer que quero rabanada, quero irmã(s), e quero amigos. reconciliação - e conforto.
quero andar de bicicleta pela orla da praia. quero beijar em pontos de ônibus. quero carnaval e abraços de reencontro.
quero novas histórias… só minhas! quero o novo. e rir lembrando do que já passou, mas não ficar mais triste pelos capítulos acabados... preciso de um novo horizonte. e abrigo, carinho, sol quentinho... sorrisos.