Um sol que faz mais do que aquecer.
Raio por raio, me expõe: minhas espinhas, minhas cicatrizes, minhas falhas e meus medos. Tudo é exposto sem a menor piedade.
Lágrima por lágrima, me sinto uma tola; fraca, sozinha, desamparada. Sem conseguir olhar no espelho.
Eu sempre odiei terças-feiras, mas hoje, por mais brilhante que esteja o sol lá fora, tremo.
De medo. De torpor.
Eu só queria não ter essa montanha-russa de emoções; queria normalidade, equilíbrio; queria me amar. Verdadeira e intensamente, como diz o roteiro. Eu posso até me amar, um pouquinho. Mas não hoje, pistoleira. Não hoje, e muito menos agora.
Hora de aproveitar o ar gelado, e cobrir-me deste vento inebriante… Para, quem sabe, amenizar estas queimaduras da realidade… e voltar a querer enxergar a luz refletida no espelho.
Algumas horas depois... E o calor piorou. Troco de sala, sinto-me melhor.
Entretanto, fujo das pessoas. Não quero encontrar amigos - se eu não consigo olhar pra mim mesma, não quero obrigar mais ninguém a passar por isso. Pensamento cruel e até mesmo sem sentido. Mas hoje é um daqueles dias. Permiti me entristecer.
Como uma coxinha com catupiry, e o estado de espírito é outro: consigo ouvir Lana del Rey e apenas sentir uma vontade de voar por aí. A fila gigantesca e o calor infernal do terminal lotado não me deixaram pra baixo. Estudei. Dei algumas risadas...
E eis que o inesperado acontece. Compartilhamos khef, de novo. Anos de amizade, e é surreal como a sincronia ainda nos aproxima. Mesmo que incompleto, o tet sente as mesmas dores, os mesmos anseios. Não estamos sós. Temos as mesmas crises: e isso é só a prova maior de que, bem, nada realmente importa. Estamos juntas nessa e somos quem somos. Se eu te amo, você também pode se amar. E se vocês me amam... Por que eu não me amaria também?
Não seres: sendo.
obrigada pelos peixes.
Não seres: sendo.
obrigada pelos peixes.
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