quinta-feira, 24 de julho de 2014

Tempo de escrever

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.

E quando o sol parece mais forte do que nunca. E queima. Por que tão quente? Se eu estou com tanto calor, por que não me traz gelo?
De repente, uma tempestade. Burburinhos, de medo, questionam a normalidade.
O vento poderia bagunçar tudo, eu não me importaria. Um pouco de caos para mostrar quem é que manda.

Tempo de guerra, e tempo de paz.

Um punhado de bem. Um bocado de mal. 
Misture tudo com água. Muita, muita água. 
Acrescente alguns seres pensantes, um ambiente propício e veja o que acontece!
Não há sentido nenhum no que eu estou fazendo. Nem no que você está fazendo.
Eu escolhi estes números de forma aleatória... 
Não me diga agora que há algum propósito ou terei que refazer.
Sei que, quando refaço, faço tudo igual de novo. Ka...ka?

Tempo de buscar, e tempo de perder.

Olhe pela janela, não há nada. 
Só cinza. Não foi hoje que eu quase morri de tanto calor? À espera do gelo, sempre. 
Quem diria, Ka como um vento. A brisa leve para acalmar. A tempestade para bagunçar.
Oz, é para lá que você quer ir? Eu conheço um atalho.
Siga-me enquanto há tempo. 

Tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar.

Entre laços, desencontros e abraços.
Forço a memória em busca de lembranças.
Guardo a carta na gaveta. Algumas fotos ainda estão na mala.
Há pouco do que fui, em mim. Como seria diferente? 

Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras. 

Com sono, sem dormir. Um pouco de preguiça, porque faz parte do pacote.
Com fome, sem comer. Uma aventura no dia,
outras na madrugada,
reflexo da tênue linha entre estar livre mas, ao mesmo tempo, cercada.

Tempo de prantear, e tempo de dançar.

No ônibus, uma nostalgia antecipada. Eu, num lugar estranho, cercada de pessoas estranhas, vivendo uma vida estranha. 
Sentindo saudade do presente, que só será passado no futuro.
Então, sorri: há um tempo para todo o propósito e para toda a obra.

Já tenho entendido que não há coisa melhor do que alegrar-se e fazer bem na vida.

Sonho toda noite, mas nunca consigo lembrar o que estava na minha mente.
De vez em quando, acordo na madrugada. Digo para mim mesma o que sonhei.
Entretanto, quando acordo, não está mais lá.
 Acho que isso reflete o surrealismo em que tenho vivido. Feliz demais para ser verdade. Bom demais para ser duradouro… Mas, pensando bem, é a chance que eu tenho. 
Eclesiástes 3.

Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua função.

Assustador perceber o quão momentâneo tudo é.
Estou aqui, em breve não mais estarei.
Estava em casa, mudei-me.
Amigos que eu deixei, alguns que já fiz e, em breve, também os deixarei. Assim, dia por dia, hora por hora, mesmo que aparentemente esteja tudo igual… 
Está mudando. Gira, gira, gira a roda do Ka.
A constante é variável.
Desculpa, honey. Em breve nada do que eu me importo, importará. Em breve, o universo será multiverso e um mundo será outro, e depois serão dois, e três, e dançarão perante as estrelas, e as estrelas morrerão, e assim milhares e milhares de galáxias serão iluminadas.

Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem.

Mistérios serão revelados, enquanto outros serão criados.
Abelhas desaparecerão. E aviões. E razões para justificar ações.
E o amor, e o ato de amar. 
E a vida, e o ato de viver.
Tudo tende ao nada. E o nada, ao tudo. 
Não importa o quão firme seu cobertor aparenta te prender a este mundo, e o quão quente o dia esteja…
Pode-se prever a tempestade, mas nunca impedi-la. 
Pode-se estar com calor, com tanto calor, e receber gelo. 
Mas um dia, Ralph volta para casa. Mesmo que tudo esteja diferente, porque vai estar: essa é a vida, essa é a realidade.

O que é, já foi. O que há de ser, também já foi.

Só restou o agora. O piegas, o clichê: present perfect.
Uma viagem ao lago.
Um cachorro quente na brasa.
Roxanne… E toda a loucura compartilhada.


"Se eu não faço sentido, como minhas palavras poderiam fazê-lo?" - Irmã, minha.

Um especial agradecimento à JC. 
Ao de Eclesiástes 3.
E ao da mochila.