quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Marcas

Marcas no rosto,
na pele do corpo,
no coração enferrujado,
no coração quebrado.

Marcas de uma tentativa falha de rima: basicamente não aparenta restar mais nada para nós.
Terceira pessoa sim, mas deveria ser quinta.
Você acha que não é mais amada;
você acha que é a pessoa mais sem graça do mundo;
você acha que foi enganada;
você acha que é ainda mais feia com essas novas marcas (que vêm e vão, oscilando como quem não quer nada - além de destruir algo que já é naturalmente destrutivo).

Às vezes as estrelas perdem o sentido: toda a beleza vai embora do céu.
O brilho estelar é coberto por nuvens escuras (nuvens escuras disfarçadas de rasgos: um céu que dizia ser tosco e terrível,  agora diz estar ainda mais assustador).

Ser esponja está cada dia mais difícil.
"Você parece doente". Só parece, não é.
Talvez seja só tristeza... tristeza estranha, meio que de leve - sutil e infernal ao mesmo tempo.
Consequências de marcas que seguem direções aleatórias, e que existem aparentemente para sempre.
Como nuvens.
Terrível como nuvens de tempestade, com raios luminosos e trovões escandalosos.
Cortante, no mínimo.

E a chuva que cai dessas nuvens é fria, fria como gelo - e queima como tal.  E tem sabor de lágrima.

Bem, a única coisa que eu tenho certeza que vai acontecer é: isso vai passar. Porque tudo no mundo é passageiro, mesmo que pareça infinito.
Pode levar um mês, dois meses, um ano... não irá durar para sempre. Vagueará como as nuvens do céu (as nuvens que você tanto admira). Isso só pode ser um sinal. Um sigul bom, mesmo que talvez este seja um pouco longo demais. Uma forma de resistência e superação.
Se estiver difícil de lidar com esta tempestade, me deixe tomar um banho de chuva com você.
Podemos rodopiar na chuva e enfrentar o mundo ao som dos bandolins.

A melhor maneira de fazer a tempestade ir embora é deixar ela acontecer.
A melhor maneira de ver um céu repleto de estrelas é permitir-se olhar através dos rasgos das nuvens no céu.
Porque a beleza não só existe como é absurda. E tem um charme inigualável (possivelmente devido a covinha). Só não enxerga isso quem não quer.

Se em algum momento isso lhe parecer impossível - enxergar além de marcas e cicatrizes que tanto lhe afligem -, lembre-se das fadas e das brincadeiras delas. E dos formatos das nuvens, da fábrica de algodão doce e da casa do pão de gengibre. E, é claro, você sempre terá uma âncora.
Pense na âncora como um fio que te puxa de uma sala de controle espacial até as estrelas propriamente ditas. E então nada deve parecer impossível.

Tristeza não é uma opção; a beleza é inquestionável, até mesmo de um céu escuro.

As nuvens vêm e vão,
mas a tempestade vai passar - mesmo que de vez em quando retorne.
Entretanto, a verdade é que sempre haverá um dia em que o céu estará limpo e estrelado; estonteante.
Nunca se esqueça disso.

"Assustador é perceber o quão momentâneo tudo é" - A, L.