"O vento está do outro lado da fechadura. E aqui, de onde ele vem? De toda a eternidade. E da Torre Negra."
Faz frio lá fora.
E está chovendo um pouco, também.
Ouço risadas. E pessoas falando em outra língua.
Valorizo as vantagens de entender e não poder ser entendida. Outsider, mas nem tanto assim.
Enquanto isso, deveria estar escrevendo sobre saudade; e sim, estou negando isso ao máximo.
Não vejo porque adiantar qualquer sentimento do tipo.
Daqui a pouco é aniversário da minha avó e casamento do meu primo, tudo num dia só. Fico feliz porque eles se distraem, enquanto eu tenho milhares de afazeres - que sempre são adiados - pra se resolver.
Ouço Free Bird. Vejo fotos antigas. Cada minuto tentando entrar no clima saudosista que o professor exigiu. Não é tão difícil, porém. O problema é a minha memória (a minha memória é sempre o problema).
Acho que isso é um brainstorming. De nada. Por nada.
Tick Tock, ninguém bate na porta.
Mais um Twix acaba.
Silêncio.
Rio das tolices da minha irmã - a cada dia que passa me surpreendo mais.
Odiando todas essas palavras. Acho que esses grilos não me ajudam a pensar. Acho que os meus neurônios não me ajudam a pensar.
Nunca me senti tão sufocada quanto agora: queria aproveitar a noite lá fora e gritar para o mundo.
Talvez o problema seja esse: gritar o que, para quem?
Ora essa, não precisa de razão.
É. Só. Uma. Questão. De. Pensar.
loucura
silêncio
barulho
noite
(meu professor disse que listar palavras é bom, e que às primeiras não fazem sentido)
Ouço um ruído.
Hora de dizer adeus temporariamente.
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