quinta-feira, 27 de março de 2014

Fenômenos de Transporte e Palavras

Escrevi. 
Não lembro bem - eu estava no ônibus, quase dormindo.
Cheguei em casa e traduzi. Só não me perguntem porquê. Isso nada acrescenta. Mas seria como ignorar uma parte de mim, então não resisti. 

Hoje, eu não pertenci. 
Escrevo no ônibus, quanta estupidez.
Não sei o que ouvir.
O papel treme, o lápis treme. A lua me seguiria mas há nuvens demais.
Nenhum propósito em continuar a escrever (mas continuo).

Sigo apenas a minha loucura; 
rio sozinha.
Olham para mim, devem estar pensando
"que menina burra, escrever no ônibus!"

Senhoras e senhores, desculpe interromper o silêncio da sua viagem...
Dois pacotes de bala por apenas 5 reais!
(silêncio só se for por fora, moço. 
meus pensamentos falam,
não sei o que ouvir,
queens me ajuda a abstrair)

SICK, SICK, SICK!

Hoje, mais do que nunca, não pertenci.
Corri em vão, não tive aula.
Escondi-me em vão, nunca me viram mesmo.
Estudei em vão: mais um teste que não consegui resolver.

Choveu muito, fez frio. 
Parou de chover, o sol surgiu...
Como se nunca tivesse caído uma gota d'água do céu.
Não tento entender mais o tempo.
Havia algo sobre nimbus e pressão, aprendi em meteorologia.

Esqueci.

Estou chegando em casa. Como costumo dizer, "meu planeta natal".
E daí?
Mal consigo ler o que escrevi. 
Rio sozinha, de novo.
Agora fez sentido: bagunça na minha mente, bagunça no papel.
(vou precisar de um tradutor para entender minha caligrafia)
I VOLUNTEER!
Obrigada, palavras. Por um breve momento,
enquanto escrevia,
pertenci.


Vou passar em Fenômenos de Transporte e Hidráulica.
Verdadeiro ou falso?
Uma resposta errada anula uma certa.
Boa sorte.

Um comentário: