quinta-feira, 13 de março de 2014

Sobre aqueles dias em que não seguram nossas mochilas no ônibus

Seres humanos e peculiaridades,
uma linha e eu já odeio.
Odeio odiar minhas manias; é como odiar a mim mesma.
Está frio aqui, mas lá  fora está tudo tão quente como, imagino, o inferno deva ser.
Será que chove amanhã?
Ou irei à praia?
Desenharei alguns projetos? Projetarei alguma coisa?
Não sei desenhar.

Uso roupas novas.
Sinto a renovação das energias ao redor? Não.
Ainda não.
Há uma nuvem estranha sobre mim (nós).
Não sei de onde vem ou para onde vai.
Será que a nuvem paga para estacionar?
Com distração, paranoia e uma loucura quase... Palpável. Está no ar, não percebe?
Vampiros? Lobos?
Estou acordada quando estou dormindo, e durmo enquanto acordada.

"Só porque está na sua mente não quer dizer que não seja real."
Está calor, dê-me gelo.
O gelo me queima, aqueça-o...
Eu preciso do equilíbrio da temperatura ideal.
Ilusão.
Não existe ideal, menina. Desista. Mas continue.
Desista para continuar. Temos que continuar.

Será que se eu andar, a nuvem me segue?
Se eu ficar, ela tem de ir... Certo?
Incerto.
Fique e descobrirá. Mas pode ser uma tempestade.
Como prefere descobrir a verdade?
Eu andarei... Andarei na esperança de um descompasso.
Meu timing, seu timing, querida nuvem. Deixe-me em paz. Deixe meu tet seguir adiante.
E seja o que o tal do Ka quiser.

Esses dias nos quais o ônibus está lotado,
e a mochila pesada,
e o sono não tem fim
são os mais estranhos.
"Ei, você que está sentado! Não quer segurar minha mochila?"
"Hoje não, menina. Tempos difíceis. A minha vitória de hoje é viajar sentado.
Acorde mais cedo da próxima vez."

É... Enquanto a nuvem não se vai, resta-me apenas aceitar.
Vou em pé.
Ponho a mochila no chão.
Não é assim tão ruim.
Há sempre um fim de semana no final da semana e aí sim...
Tempo de dormir até mais tarde.
Tempo de pôr os pés ao caminho.
Tempo de ter paciência. Esperar a nuvem ir embora.

Esqueça isso.
Durma, acorde, continue. Só não deixe tudo passar.
É preciso uma âncora para não se deixar levar pela maré.
É preciso forçar a memória, buscar o que faz sorrir e esquecer o que é nada.
De vazio, já basta todo o resto.
Como apoio, lembre-se do ka-tet.


"O que me tornei? 
Meu mais amável amigo
Todos que conheço
Acabam indo embora
Você podia ter tudo isso
Meu império de sujeira
Vou te decepcionar
Vou te fazer sofrer"



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