sexta-feira, 12 de julho de 2013

Devaneando

A não ser que você não se importe com textos pessoais, sem sentido, que estão cheios de metáforas, inspirações frustradas de certos autores, excesso de metalinguagem e tudo o mais que possa ser considerado errôneo em um texto, sugiro que não leia o meu. Como de praxe, é isso o que eu digo a você, caro-leitor-que-não-existe: não leia.

Aquela vontade esmagadora de escrever. Não sei o que, nem por quê. Preguiça de pensar. Mas vamos lá, quem sabe assim eu não consigo extravasar – ou ao menos tentar explicar – o que eu estou sentindo.

Não. Eu não quero falar o que eu estou sentindo, eu não quero expressar em palavras nada disso. E você (ser invisível que está lendo isso) pode estar se perguntando “Ora, por que não?” E eu lhe digo: não quero. Não quero tornar mais vivo aquilo que está me enfraquecendo. As palavras têm poder, você sabe. Elas curam, mas elas também remoem aquilo que mais nos incomoda. As melhores poesias vêm de tristezas e angústias profundas. Felicidade é posta em palavras, mas, exceto que por alguma força divina ou da natureza (como isostasia, ié, pois é), elas perdem algum significado: é como a montanha que está lá, deitada no horizonte, mesmo que você não compreenda como algo tão grande pode ter surgido assim, “do nada”. Então... desviando do assunto louco de pedra, posso voltar ao que eu estava dizendo? (Nossa, como eu escrevo mal! Certeza que se tivesse que fazer alguma redação agora, esse texto seria de alguma forma similar a uma receita de miojo...).

Enfim. Palavras, sempre elas. Sempre dando razão às nossas emoções, escapando das nossas bocas, sumindo dos nossos bloquinhos de notas a cada linha que é escrita e então apagada novamente. Apenas um conto de um dia vazio (tão vazio como todos os outros, eu concordo, mas em especial mais sonolento e descompromissado). Quando você sente uma estranha, uma FULGAZ, necessidade de escrever, e corre pra abrir o Word – larga o Facebook, o Twitter, o ÍlTube (como diria um certo passarinho), é um sinal de que há algo para ser dito, certo? E o que acontece? Você simplesmente esquece o que queria dizer – talvez você não quisesse dizer, e pelo que a minha memória de Dory permite lembrar (ou melhor, retornando um pouco este texto inútil), eu iria dizer algo, supostamente o que estava sentindo. Então é este o plano da minha mente insana: ela quer que eu deixe escapulir tudo o que eu quero, mas ao mesmo tempo posso não querer admitir, e então fica tudo por isso mesmo. Umas palavras loucas com umas frases sem sentido e algumas outras coisas em parênteses ou itálico só pra ter um efeito legal.  Viu como eu desvirtuo facilmente as coisas? É, eu acho que isso é normal. Sempre que temos alguma conversa extremamente filosófica sobre a vida, o universo e tudo o mais, e então quando parece que estamos chegando ao ÁPICE do assunto, a ponto de descobrir algo que seja realmente relevante no curso de todo o espaço-tempo... PLUFT! A conversa para, o rumo do assunto muda, e a gente não consegue nem se lembrar do que estávamos falando. Será isso algum tipo de mecanismo (kaka, gira a roda do ka) feito para nos proteger (ah, doce ilusão...) da verdade? E que verdade seria essa tão pecaminosa, que sempre que estamos perto de desvendá-la ela simplesmente desaparece? Ora, eu não sei. Nem sei porque estou falando isso, aliás. Deve ser porque eu ia fazer uma analogia com a minha mente, do tipo eu-quero-falar-sobre-algo-importante-mas-eu-não-consigo-nem-concluir-uma-frase-sem-desviar-do-assunto-principal. 

Então. Poderosas são essas letrinhas, esse conjunto de letrinhas em um fundo de tela branco. Eu achava que meu texto ia ficar melancólico, do tipo como eu estava me sentindo quando comecei a escrevê-lo. Ia ser uma poesia tosca, triste, quase vogon, pra reclamar do vazio da minha existência neste planetinha azul na borda brega da galáxia.  Mas foi libertador, de alguma forma. Continua sendo tosco, isso sem dúvida alguma, mas eu não me importo. Ele teve a sua funcionalidade, e acho que está na hora de acabar. “Mas já?”, você pode estar se perguntando. (Pode dizer, você estava achando graça da minha insanidade e da minha má escrita, né?) Sim, já. Eu acho que estou livre pra escrever outras coisas agora, livre pra falar o que eu sinto em outros textos mais concretos, menos loucos e mais... sérios. Não que eu preciso disso, mas às vezes é necessário. Cirurgia feita. Por enquanto, sem efeito colateral. Eu digo a verdade, você diz obrigada.

That’s all, folks.
"Eu acho que este texto reflete alguma coisa sobre mim: meu estado de espírito, talvez. Minhas incertezas. Meu poço meio vazio."

Parafraseando a mim mesma. 

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