sexta-feira, 24 de julho de 2015

vestígios, vertigem, e vazio

advertência: o texto abaixo contém altas doses de palavras bagunçadas e sem sentido.


Eu sei.
Eu tenho evitado as palavras como se elas pudessem revelar o que há por trás de toda a armadura.
Algumas pessoas são mais complicadas que outras.
Eu sei.
Eu sou uma delas.

Eu esperava que o verão fosse mais quente. “Prepare-se”, disseram-me. “Em breve você sentirá falta da neve.”
Não sinto. O calor que sinto aqui não faz nem cócegas na minha pele. Eu estou anestesiada.
Enquanto escrevo, sinto como se estivesse tentando subir uma escada rolante que desce para baixo - eu quero mesmo subir? O que há de errado em continuar descendo?

O passado vai me alcançar enquanto eu corro mais rápido. Eu sei.
É uma tarde ensolarada, quente, e agradável. Apenas observo o tempo passar (sempre para frente, pistoleiro. acertando ou errando...) 
A tal da roda que não para de girar.
Pessoas bonitas tirando fotos.
(sempre acho bonito quando as pessoas sorriem para as fotos)
Não tirei nenhuma.

Estou sozinha, mas não estou triste. Não hoje. Escrevo porque eu preciso.
Preciso pra me sentir menos louca.
Eu sei.
Está tudo na minha mente - mas isso não quer dizer que não seja real, Harry.
Talvez eu não tenha muito o que dizer dessa vez. Lamento.
No ônibus, escuridão. "Mama, papa estará lá?"
Cale-se, menino.
“Onde você está? Acalme-se.” 
Eu queria…
“Vai passar. Tudo passa.” 
Eu sei. Obrigada por lembrar. 
(um ano, e foi. passou)

“those echoes… you seemed really lost. were you?”
i was.
“what happened?”
i found myself.  happiness. u can find it too.
“u r a very special girl, Luise.”
eu ouço ecos. do passado, do presente, do futuro. havia um oceano, e eu mergulhei.
“did u really see those sharks?”
i did. 
sharknado!! risadas deliciosas no verão.

eu não sei onde está a minha mente. eu olho no espelho,
não vejo ilhas
não vejo deus,
não vejo criança com trança.
não pipeto gente.
não vejo vortex com palavras ou números, ou amizades verdadeiras. vejo olhos perdidos. intensos, tho. misturo duas línguas na minha mente,
duas estradas totalmente diferentes (quis me beneficiar de ambas, mas sou apenas uma). dividi-me em dois, como se eu pudesse fazer horcruxes de amor e ficar tudo bem. dividi meus amigos entre decepção e saudade, e eis que continuo a dividir; divido meus pensamentos entre memória e expectativa, mas a expectativa é limitada, e minha memória é horrível mas seletiva.

eu sei.
eu sou louca. 
seria tão lindo se eu fosse menos complicadinha. 
seria perfeito, mas não é.
seria tão legal se eu não fosse esquisita. 
“você é muito, muito estranha.”
eu sei. a pessoa mais cansada de mim sou eu.

lembro-me de fayetteville, de todas as pessoas maravilhosas que pude conhecer, e de ter feito amigos como se fossem minha família. amigos nos quais eu podia lamber a mão se quisesse, ou chorar subindo uma montanha, ou assistir a uma competição de ginástica na neve derretida. ver algumas luzes na estrada, sei lá.
lembro-me de los angeles, e do absolut club. mesmo sem ter esperado nada, lá estava eu novamente, dando risadas e criando uns laços que eu não podia imaginar. como é possível que eu esteja fazendo novos amigos?
eu me sinto mais líquida que nunca, diria até que volúvel. percebi agora que escrevi no passado o que ainda está acontecendo. 

estou pronta para escapar... se eu ao menos conseguisse. sou como um furacão que passou por uma cidade vizinha e fez chover, por um final de semana inteiro, onde toda a diversão estava. 
aceite, aceite a chuva, menina! e dance.
deixe-me dançar.
danço sozinha, danço com a minha loucura. sinto-a, na tentativa de ser mais normal, mais igual, menos distante. 
por um momento, while i’m alone, eu aceito ser quem eu sou.
mesmo que eu odeie toda a minha sensibilidade e toda aquela conexão que acontece no metrô quando eu observo desconhecidos.
mesmo que ela pareça forçada para alguns, paranoia para outros, e sufocante, anestesiaste, entorpecente para mim.

aceito toda a confusão que eu sou, toda a sujeira que eu faço quando eu derramo, todas as lágrimas que silenciosamente caem e eu não posso deixarem-se ser vistas.
aceito a minha memória péssima, minhas limitações sociais, meus medos racionais e irracionais. aceito a minha paixão proibida, meu amor 60%, meu cansaço depois do trabalho, minha preguiça de arrumar as coisas, minha insegurança, meu ciúme, minha falta de esperança nos amigos.
aceito a minha incapacidade de não ser quem as pessoas esperam que eu seja. aceito não ser a irmã perfeita, a pseudo namorada perfeita, a amante perfeita, a melhor amiga do mundo. eu sou quem eu sou.

eu sei.
observo uma linda abelha voando ao redor de mim. não gosto de amarelo, mas acho uma combinação perfeita com o preto. é um ótimo outfit para um inseto.
amo observar as abelhas, mas tenho tanto medo delas.
não se aproxime, abelhinha. i’m here u r there, here we are.

“you made me cry with your letter. i miss you.”
“você me fez dormir várias vezes pensando o quanto eu sou isento de qualidades. mas eu ainda quero.”
“eu sou louco por você, então faz um favor pra mim e não me procure mais quando você voltar”
“eu sempre quis. o texto sou eu em palavras. você me derrubou.”
“pardinha emo gótica e depressiva. como não se apaixonar?”
“i was afraid of falling in love with you because you would leave and never coming back again.”

eu quero me apaixonar por mim e não ir embora como acontece com todas as outras pessoas.
eu quero ser o meu próprio motivo de sorriso antes de ser o de outra pessoa.
quero chorar por mim e não fazer chorarem por mim.

eu sei. eu sou tóxica - mas veneno também pode ser cura.
não há como ser terra para uns enquanto sou água para mim mesma. i’m what i am.
eu só estou cansada de ser tão esponja.
tá acabando, mas eu estou pronta (inclusive, levemente ansiosa)

levo de volta uma nova pessoa.
apesar do medo de tudo que vem pela frente.
de não conseguir ser tão feliz quanto pude ser aqui.
de ter crescido muito, vivido muito, a ponto de voltar e não pertencer a nada.
enquanto fui viajante, encontrei-me: estar à deriva tem suas vantagens.
até quando é possível encher um balão sem que ele estoure?
goodbyes are coming, again. mas reencontros também. 

deixo encher-me. 
eu sou muito intensa para aceitar qualquer vazio.



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