sexta-feira, 17 de abril de 2015

Vejo você depois, inverno

Eu quero sol, quero ar, quero flores e luz das estrelas.
Eu quero me sentir acolhida, cantarolar durante o dia, dormir de exaustão durante a noite.
Quero pertencer e amar…
Mas pra isso eu preciso viver. Escolher.
Escolher algo que não seja dormir à tarde ou ver filme durante a noite. Porque o tempo… bem, ele está acabando. 
Eu costumava observar as nuvens e pensar em algodão-doce instantaneamente. Hoje, só olho pra baixo e ando apressada em direção aos meus sonhos. Mesmo assim, custo a dormir. Insisto em um status de não-existência: algo que eu tirei do berlin-artparasites, algo sobre rotinas e vidas ordinárias. Não quero isso pra mim.
Sinto falta da adrenalina… Até mesmo da adrenalina de viver. Tenho andado cansada, fatigada e talvez até mesmo triste; Quero aproveitar o sol e o tempo bom, mas, de alguma forma, o meu cobertor e a minha cama são mais acolhedores que a luz natural do dia.
Tento dormir. Minha canção de ninar é composta por pássaros cantando e ônibus de comida se aproximando…
Durmo. Tenho pesadelos.
Sou sempre acordada; nunca acordo sozinha e sorrio e penso: ora essa, hoje é um dia lindo para se fazer nada!
Falta-me coragem. Coragem de encarar a luz do dia e de encarar o meu rosto coberto de marcas (olheiras, espinhas, preguiça, desamores).
Agora que as flores estão surgindo, lindas e coloridas, por que eu tenho de me esconder entre os edredões da vida?
Percebo que estou num ciclo vicioso de rotina, de ausência. Mas não uma rotina necessariamente desgostosa, não é isso. Só falta-me coragem para fazer algo diferente, para inovar: não tenho uma rede para pôr nos jardins do campus, mas tenho livros que quero terminar, e tenho carinho pelo sol. Então por que não consigo? Preciso… ir contra a correnteza. É realmente muito fácil se entregar ao comodismo e ao marasmo do dia a dia. Mas eu não posso ser tão preguiçosa assim.
Preciso ousar. 
Acordar um dia e tomar café da manhã (por que não? eu já estou acordada mesmo!).
Pegar um livro e um fone de ouvido e ir curtir um dia de sol… lá fora. Observar os esquilos e as pessoas. Sair da caixa de ar condicionado e do conformismo diário.
Ir à academia, talvez? Ou ao hip hop? Porque é isso que a vida é: momentos de descontração e de novidades. Preciso mover conforme a música… E a música deve ser diferente, única; bem articulada. Preciso encarar o sol, as árvores, as flores e as pessoas. Preciso ouvir música e rir das atitudes estranhas dos seres-esquilos. Preciso dançar de forma esquisita simplesmente porque é quem eu sou. Não há mais tempo pra cochilos. Eu tenho cochilado a minha vida inteira: é hora de acordar, lavar o rosto, e sair por aí; não pra ser louca ou pra fazer loucuras, mas para os dias terem algum significado além de cansaço e sono. 

Eu preciso sair e olhar o céu e fingir que as nuvens são figuras imaginárias; observar as estrelas enquanto eu posso enxergá-las além de prédios e luzes da cidade grande. Preciso sentir-me aquecida pela energia do sol, e aproveitar a primavera, e ver florescer, e me tornar flor.  Não dá pra eu agir como se ainda fosse inverno e como se eu tivesse que correr pra chegar em algum lugar. Tenho que ir só por ir e andar só por andar e viver só por viver. Qualquer coisa além disso, é injusto. Injusto pra mim e pra esse lugar querido que eu chamo de “minha segunda casa”.

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