domingo, 8 de fevereiro de 2015

Quinta-feira azul

Well, it’s been a long time, long time now… Since I see you smile.
Eu queria escrever mas eu não queria escrever que eu tô escrevendo… Eu queria fazer poesia.

Posso tentar; tento me encaixar, tento sentir.
As lágrimas que por ventura escapam de mim como se tivessem alguma permissão, 
escondem uma verdade irrefutável: eu e o meu medo inconstante
de não amar nunca
e nunca ser amada.
Ou de, quem sabe, nunca ter a chance de viver nada que seja digno de um poema de verdade. Daqueles que arrebatam, que fazem você se sentir vivo. 
Eu não quero sofrer - eu prefiro o limbo do que a dor, é óbvio… Mas um pouquinho de aventura é bom, um pouquinho de loucura é sempre bom, faz as coisas terem mais sentido… Eu não estou mal, eu não sou má; eu finalmente percebo que sou… estranha, assim, de verdade.
Sempre com sono, sempre ausente, e muitas vezes, distante. 
“Ando de mãos dadas com a loucura, porque antes louco do que só.”
Vejo o vazio. Não sabia que o vazio podia ser visto… mas ele é. Tem olhos cansados; batom borrado, e não devido a uns beijos ou amassos dados… simplesmente representa um pouco de mim: oscilante, tremeluzente; triste, feliz. Ultimamente, sou um pouco dos dois: loucura e solidão, risos e lágrimas sufocadas. Estou amarrada na minha própria inércia de não-existência. Não experimento, não ouso; sinto medo, sinto-me inútil, e até mesmo útill… Sinto como se não pertencesse, e às vezes gosto disso, Porque posso fingir que estou quando não estou. Finjo-me que sou blasé, mas talvez eu seja só antipática. Pergunto-me se as pessoas me acham apática ou se me acham estranha mesmo… Reconsidero sorrir; gosto de sorrir pras pessoas, e de receber um sorriso de volta. Mas sempre acanhada, sempre tentando negar quem eu sou e como sou. Esperançosa, penso: não posso ser tão esquisita assim, deve ser só minha auto-estima choramingado para mim mesma… Respiro com dificuldade, como quem sobe escada e parece que vai faltar o ar do mundo. É a altitude versus a gravidade. As coisas eram tão leves antes! Pergunto-me o que aconteceu… e só sinto amargura, e um certo azedume inexplicável que não é de mim. Assusto-me com essa ideia; no fundo, sou uma fã de arco-íris e estrelas e algodão-doce, mas não vejo muitas cores mais… Por que? A questão é: não há porque, eu estou envelhecendo; ficando meio ranzinza. Sempre me falaram isso, e eu nunca acreditava. Gostaria de ter minha humanidade de volta, meu zelo de volta… Mas eu esqueço como é praticar o meu próprio bem-estar. Esqueço-me disso como esqueço a diferença entre uma rocha ígnea e uma rocha metamórfica… Gosto de observar o céu e me achar importante. Isso faz eu me sentir bem, e o fato de ser esponja torna-se irrelevante, exceto quando é para absorver toda a purpurina e toda a vida que há lá fora… O tempo, meu amigo, é um jogo. E hoje à noite eu quis que o amanhã chegasse logo, mas agora… agora eu consigo dormir tão leve como uma folha que voa porque há sol e há vento e há vida. 

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