quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Casa do pão de gengibre

Atenção: este texto pode conter conteúdo extremamente dramático e redundante. Por antecipação, já aconselho: pare de ler agora. Não lhe interessa o que está escrito. Eu escrevo para mim e para quem quer que eu queira escrever, então não, NÃO precisa ter sentido. Não é uma história. Não tem começo, meio e fim. Não tem regras, ou palavras legais. Não é realidade: não precisa ser. Bastam apenas que transmitam qualquer coisa que eu queria transmitir, sem necessariamente me preocupar com o que está sendo dito. Não respeitarei regras da Gramática. Posso escrever em primeira pessoa, e ao mesmo tempo estar apenas à mercê do que escrevo. Não importa! Liberdade não é escravidão. Não sou escrava do que escrevo, não quero me prender à nenhum fio de realidade e sentido e preocupação que um simples texto pode oferecer. Abaixo ao Grande Irmão (dos textos e das criações)!
Viu como eu sou cheia de negações? Hora de seguir o conselho principal, meu caríssimo leitor (que provavelmente não existe, ou pertence à alguma dimensão paralela à essa. Olá!)

(...)

Ser cobrada para escrever não é necessariamente o que eu preciso agora.

Eu não sei o que eu preciso para mudar. Parece que as palavras não gostam de mim, elas simplesmente fogem [insira algum clichê qualquer sobre velocidade, acho que diabo foge da cruz é apropriado]. É estranho: eu estava com milhares de ideias cintilando em minha mente perturbada e cansada, mas é só abrir o Word que... Puff! Tudo simplesmente desaparece. E quando isso acontece, qual é a solução? Não, a solução não é continuar a nadar. A solução é escrever sobre o fato de não conseguir escrever. É um ciclo; uma forma de desviar a atenção para o problema principal. E qual é o meu problema principal? Eu acho que não sei, e acho que é por isso que não consigo escrever. Ora... Eu posso falar sobre qualquer coisa agora! Minha rotina (tão chata e ao mesmo tempo reconfortante!). Ou sobre o vazio, o zero, o nada (questionamentos intrigantes tão frequentes em mim, que parece que eu curto ter uns pensamentos loucos que só trazem mais loucura à minha existência). Ou melhor: posso falar sobre o falar, e é exatamente o que estou fazendo agora. Ah, essa compulsão! Torna tudo o que eu faço tão desvalorizado e insano quanto eu sou. E eu não sou o que escrevo, ou o que como, ou o que ouço. Por enquanto, sou apenas um poço, talvez à espera de ter alguma utilidade, ou de ser preenchido. Deprimente? Sim, muito provável. Trágico? Acho que não, é a minha realidade e não há nada a ser feito. Eu posso começar centenas de metáforas sobre isso, mas é perda de tempo. Acho que eu devo parar. Não está saindo do jeito que eu quero. Não consigo pensar limitando a quantidade de caracteres por segundo que eu posso digitar sem perturbar quem está dormindo perto de mim. Além do mais, não consigo lembrar o que eu queria lembrar que era o que eu ia escrever. Agora... eu devo parar. Nunca mais voltarei aqui, palavras criadas, mundo criado (neste caso, nem, mas acho que é bom). 

Preciso reinventar. Sair. Fugir. É, acho que fugir é a melhor opção. Para onde, se estou presa aqui? Preciso pegar tudo o que puder – só não sei ainda o que é, pois não descobri. Mas acho que não há refúgio. P. Sherman, 42, Wallaby Way, Sidney, talvez? Não, acho que não. Nárnia? Não, estou sem o guarda-roupa (e, na verdade, não consigo mais pensar neste paraíso sem remeter a cogumelos, infelizmente). Terra Média? Não, muita movimentação por lá. Torre Negra? Não, os Feixes estão caindo, a desordem está absurda... Então, Hogwarts? Não, muito menos, a estação King’s Cross está muito longe, e não tem nenhum carrinho voador pra me ajudar... É, acho que resta apenas a realidade cortante e a minha própria mente. Devo fugir logo.

Estou com vergonha deste texto, está absurdo. Não deveria me prender a essas palavras, mas não quero mais apagá-las. Uma vez escritas, jamais “desescritas”, não há nada que a gente possa fazer (Que dirá a Jess, não é mesmo?). Chorar! Acho que é isso que eu devo fazer. Não, não há porque, está tudo bem, acho que sempre foi assim. Nada pra sentir, espero outro dia vir... Mas, mas, espere! Acho que a solução ideal é rir. Rir? Mas de quê? Não há nada pra rir. Ora, mas não há nada pra chorar também e você aceitou muitíssimo bem. (É porque eu sou estranha, sabe como é). Eu posso até rir, mas preciso saber do que antes! Não é legal rir dos outros, nem da gente mesmo, aliás. Opa, do que eu estou falando mesmo? Não sei, sou boa em desvirtuar assuntos assim! E agora eu estou cansada. Acho que preciso dormir, mas eu parecerei uma macaca de imitação...

Percebi que escrevo mal – aliás, eu acho que no fundo já sabia disso. É difícil conectar ideias. Ou, talvez, eu mal tenha tentado. Eu acho que este texto reflete alguma coisa sobre mim: meu estado de espírito, talvez. Minhas incertezas. Meu poço meio vazio. Minhas insanidades – ora propositais, ora não. Eu não sei, acho que isso é um bom começo. Saber que não sei. (!) Contradições me definem, mas não. Porque eu nem sei me definir. Ora, veja, aqui vai mais uma contradição para a lista de contradições da senhora nariz de batata 2!

Triste fim de Policarpo Quaresma. Por enquanto é tudo, pessoal. Obrigada pelos peixes. Desculpe o incômodo, eu não sei quem sou. Mas você sabe quem eu sou eu e eu digo obrigada, é reconfortante, de alguma forma, entender que você me entende. Mas acho que você não existe. Acho que essa loucura só pertence a mim. É o meu ka. Não consigo reproduzir em palavras o que eu penso, o que eu acho, o que eu sinto – talvez eu sequer tenha tentado, não é relevante. Mas... por ora está tudo bem. Estou indo, então. Há outros mundos além destes.

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